No planejamento da viagem, a nossa primeira cidade no Uruguai seria Punta del Diablo. Estávamos na maior expectativa depois do que tínhamos lido sobre o lugar: um povoado de pescadores, com população fixa de cerca de 650 habitantes, em sua maioria pescadores e artesãos e que no verão transforma-se em um dos principais balneários do país. Uma promessa de tranquilidade em um vilarejo cujas ruas sequer têm nome e muitos frutos do mar! Como no início da viagem na sabíamos ao certo que dia chegaríamos lá e aparentemente já não era alta-temporada, preferimos não reservar uma cabana, meio de hospedagem mais comum e bastante abundante em Punta del Diablo. Que engano! Não encontramos nenhuma cabana desocupada e a cidade estava lotada, principalmente por argentinos. Após almoçar e procurar em vão por alguma hospedagem, resolvemos não perder mais tempo e seguir em frente. Na verdade o vilarejo não era nada do que esperávamos. Nada de calmaria ou sossego e, além disso, quase não haviam restaurantes...
Nessa hora saímos completamente sem rumo. Resolvemos parar nas cidades que encontrássemos no caminho e ver se nos agradava. (Já falei das vantagens de se viajar de carro???)

Entramos em La Esmeralda (que sequer consta na maioria dos mapas, mas está ali entre Punta del Diablo e Aguas Dulces) e não encontramos nada, nem pessoas... Acho que todo mundo devia estar dormindo. Não, ali ainda não era o nosso lugar...
Em Aguas Dulces fomos informados de que ali também não havia vagas e que provavelmente só as encontraríamos em La Paloma, pois lá havia um maior número de opções. Acho que às vezes realmente o destino nos dá uma ajudinha e quando parece que as coisas estão fugindo do controle é porque há algo melhor nos aguardando. E lá estava La Paloma! Não havia lugar melhor pra passarmos nossa primeira noite no Uruguai e já começar a firmar a nossa simpatia pelo país. Povo hospitaleiro, educado, sempre disposto a ajudar e puxar uma conversa mesmo que seja em portunhol.
Depois de instalados fomos conhecer a cidade e experimentar o primeiro sorvete uruguaio. Mais alguém concorda que os helados dos nossos hermanos dão de 10 nos nossos? E não só nas mais conceituadas heladerias, mas em qualquer esquina. No Uruguai eu já fiquei fascinada, como uma típica viciada em sorvetes, e na Argentina então... Como não poderia deixar de ser, a primeira pedida foi o helado de dulce de leche. Ai, que saudade...
No dia seguinte partimos para a praia bem cedinho. Não preciso nem dizer que "abrimos" a praia, já que todos os uruguaios estavam dormindo, né? Foi nosso primeiro dia de sol e céu limpo desde o início da viagem, o que fez La Paloma ficar ainda mais bonita.
À tarde conhecemos por dentro o Farol de La Paloma, construído em 1874. A subida cansa um pouquinho, mas a vista lé de cima compensa o esforço.







