Desde que eu soube da existência da Estrada Real (acho que em 2005) eu morro vontade de percorrer seus mais de 1600 km, de preferência de uma só vez. Assim que comecei a trabalhar, o Eduardo e eu planejamos fazer esse roteiro nas férias. Iríamos de Uberlândia a Diamantina, de lá percorreríamos o Caminho dos Diamantes e o Caminho Velho até Paraty e depois retornaríamos pelo Caminho Novo de Petrópolis a BH. Nas nossas primeiras férias juntos, em 2007, já estava combinado que faríamos essa viagem. Mas meio que de última hora surgiu a idéia de viajarmos de carro para Argentina e Uruguai e nossos planos iniciais acabaram ficando pra depois. A Estrada Real era uma viagem muito mais fácil, não exigia tanto planejamento, podíamos fazê-la a qualquer hora... Ano passado foi a primeira vez em que foi possível dividir nossas férias em duas parcelas e a primeira delas nós agendamos para o mês de maio, já pensando na Estrada Real. O clima estaria mais ameno e seco e teríamos 25 dias corridos disponíveis, tempo que julgávamos suficiente para fazer todo o percurso. Só que aí a viagem para Bolívia e Peru nos pareceu uma oportunidade imperdível, os preços estavam ótimos, o mês escolhido também seria perfeito e lá se foi a Estrada Real para uma outra oportunidade novamente...
Na nossa última metade de férias, em agosto, o namorado estava morrendo de vontade de ir pra praia, queríamos descansar, o pacote estava muito barato, e lá fomos nós pra Arraial... Já estava virando piada, todo ano nos perguntam pra onde vamos nas férias, nós falamos que é pra "Estrada Real" e depois os planos mudam. Sem contar que na maioria das vezes ninguém sabe do que estou falando! Então quase todas as vezes eu tenho que explicar e muitas vezes ouvir a pergunta "Mas o que é que você vê nessa Estrada Real?". Sem contar a família e os amigos falando que não entendem como eu gosto tanto de "coisa velha" e tal...
Mas a verdade é que eu sou realmente apaixonada por cidades históricas! De preferência pequenininhas, com calçamento de pedra e casinhas coloridinhas. Então a Estrada Real é um sonho pra mim, né? ; ) Apesar de adiarmos todo ano essa viagem, o que pode parecer pouco caso, não sei nem dizer se tenho mais vontade de percorrê-la ou de ir pra Patagônia, pra Rússia ou pro Egito. Todas essas viagens estão no topo da minha "listinha" e é difícil dizer com qual eu ficaria mais feliz.
Mais um motivo que me fez apaixonar pela Estrada Real foi que antes mesmo de saber do que se tratava eu conheci um pedacinho dela e adorei! Em fevereiro de 2005, quando eu ainda estava na faculdade, juntei o pouco que ganhava no estágio pra fazer a primeira viagem a turismo com meu namorado. Nessa época conhecemos Congonhas, Tiradentes, São João del Rey e Ouro Preto. Mas esse é assunto para o próximo post! Assim como mais um pedacinho que conhecemos no início desse mês: o Caminho dos Diamantes.
E pra quem, como a maioria das pessoas que eu conheço, nunca ouviu falar na Estrada Real, fica aqui um pequeno texto explicativo que encontrei no site do Instituto Estrada Real:
"A Estrada Real foi sendo construída nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII, em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é reviver os passos e os caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e pela história. Constituída, ainda, pelas vias de acesso, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas que se formaram durante o passar dos homens e do tempo.
Inicialmente, o caminho ligava a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais rápida ao porto do Rio de Janeiro e, também por imposição da Coroa foi aberto um "caminho novo". A rota de Paraty passou a ser o "caminho velho", a partir do século XVIII. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada se estendeu até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando Ouro Preto como o centro de convergência da Estrada Real.
Assim se formou o complexo da Estrada Real, ou seja, mais de 1600 km de patrimônio, cercado de montanhas, natureza, cultura e arte. Conhecer a Estrada Real é reviver o passado e a história de Minas e do Brasil."
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