Eu sempre volto diferente de uma viagem. Geralmente tomo a decisão de ser uma pessoa mais saudável, principalmente quando vejo idosos viajando e com um pique maior que o meu. Viajar me deixa também mais desencanada e acho que começo a me importar menos com roupas, moda, essas coisas. Na maioria das vezes quero largar tudo - emprego, rotina, estabilidade - e começar uma volta ao mundo, sem data para voltar. Mas minha vida muda pouco depois das férias e essas "resoluções" costumam ser passageiras. Exceto uma delas. Foi durante uma viagem que eu fiz uma grande escolha: a de me tornar vegetariana.
Foi na viagem para o Peru. Talvez a mudança tenha se iniciado ainda na Bolívia. Não sei indicar o momento preciso em que as mudanças ocorreram, mas foi durante as férias. Assim que voltei ao Brasil, há mais de três anos, eu estava decidida. Meus motivos foram éticos. Eu não tinha nenhuma aversão à carne como alimento, mas não queria que mais nenhum animal morresse por minha causa. Desde então meu dia a dia sofreu algumas restrições, que são totalmente contornáveis, mas que alteraram um pouco a minha forma de viajar. Experimentar comidas típicas é uma atividade que eu adoro praticar, mas muitas vezes nos pratos mais famosos de cada cultura a carne é a grande atração. A parrilla argentina, os frutos do mar chilenos ou a paella espanhola já não entram nos meus roteiros, mas muitas outras comidas, como empanadas e tapas, podem ser adaptadas. Até o pelmeni, típico prato da culinária russa, tem sua versão vegetariana.

Como nem todos conhecem as dietas vegetarianas, vale ressaltar que aqueles que não consomem nenhum tipo de produto animal costumam ser chamados de veganos. Eu sou ovolactovegetariana, ou seja, não consumo nenhum tipo de carne, mas não excluo o ovo e o leite da minha dieta. Então minha vida não é assim tão difícil. Sem contar que os doces, minha grande predileção gastronômica, estão liberados. ;-)
Minhas viagens agora talvez demandem um pouquinho mais de planejamento. Sempre tento descobrir pelo menos um restaurante vegetariano em cada cidade, para o caso de "necessidade", já que eu não posso me dar ao luxo de escolher um prato no escuro. Quando a língua é muito diferente, o perigo é ainda maior! Em São Petersburgo, por exemplo, em que nenhum garçom que encontramos falava inglês e em que a tradução do cardápio era super resumida, não era fácil descobrir o que eu poderia ou não comer. Mas na maioria das vezes é possível se virar bem, sem muitos problemas, como em Punta Cana, em que os pratos vegetarianos eram destacados no cardápio. Mesmo tendo que às vezes pedir duas entradas e nenhum prato principal, eu pude comer super bem.

O Brasil, por outro lado, não é um país bem preparado para receber vegetarianos. Quando se pergunta nos restaurantes e lanchonetes por aqui se há algum prato sem carne, é muito comum receber a resposta: "Sim! Temos esse com recheio de frango/peixe/salsicha/presunto". Eu achava que esse poderia ser um problema local, já que em Minas Gerais há poucos vegetarianos, mas encontrei essa informação até no Lonely Planet Brasil!
As opções de restaurantes especializados ainda são poucas, mas isso não seria um problema se os estabelecimentos normais oferecessem também pratos sem carne. Muitas vezes nem mesmo as saladas ficam imunes, pois contêm atum, frango, presunto… Nas capitais é um pouco mais fácil. Aos poucos estou descobrindo vários restaurantes legais em Belo Horizonte. Em São Paulo e em Brasília me faltou tempo para conhecer mais lugares legais. Mas pelo menos aqui tenho a vantagem de estar no meu próprio país, falando minha língua.

Já na nossa última viagem, para a Europa, eu me senti no paraíso! Praticamente todo restaurante ofertava pelo menos uma opção vegetariana/vegana, mesmo quando serviam os chamados "pratos do dia". E o melhor é que esses pratos eram super saborosos, geralmente à base de cogumelos, com uma variedade muito maior do que a que temos por aqui. Com certeza o cenário não foi sempre esse e os estabelecimentos foram se adequando à medida em que as pessoas mudavam seus hábitos alimentares. Acredito (e espero!) que o mesmo irá acontecer no Brasil.


Nas nossas viagens, o Eduardo (que não é vegetariano) e eu geralmente intercalamos refeições em restaurantes com lanches rápidos. Nos dias de economia ou preguiça de procurar um bom local, fast-food pode ser a salvação. É mais fácil encontrar opções vegetarianas nos locais menores do que nas grandes redes (com exceção do Subway). Em São Paulo e em Belo Horizonte encontrei hambúrgueres deliciosos, como já contei aqui, e na última viagem conhecemos o Hesbuger, uma rede finlandesa com lojas também nos países bálticos, Rússia e Alemanha. O estilo é aquele típico do McDonald's, mas para minha alegria havia um sanduíche vegetariano, o Falafel. Quando não sabíamos aonde ir, sempre aparecia um Hesburger no nosso caminho. :-)

A maioria das companhias aéreas também facilitam nossas vidas, pelo menos nas viagens internacionais. Testei o menu vegetariano da KLM na última viagem. Fiz a solicitação no momento da reserva, direto no site. São oferecidas diversas refeições especiais, para diferentes tipos de restrições alimentares. Eu escolhi a "vegetariana ocidental". Minha refeição era sempre a primeira a chegar, bem antes das comuns. Todos os meus pratos (jantar e café da manhã na ida, almoço e lanche na volta) foram diferenciados, mesmo quando existia uma opção sem carne no menu convencional. Mas o que eu mais gostei foi que a minha comida parecia muito mais "caseira". Provavelmente por ser produzida em menor quantidade, ela parecia ser um pouco menos "comida de avião". Fiquei bastante satisfeita. Recomendo para todos! :-)


Para encontrar restaurantes vegetarianos em todo o mundo, uma boa fonte é o site HappyCow. Os guias da Lonely Planet também costumam indicar algumas opções. Porque não tem nada melhor do que se sentar em um restaurante e poder pedir qualquer item do cardápio. :-)
Esse post faz parte do Blog Action Day 2011 ( #BAD11 ), uma postagem coletiva anual que reúne blogueiros do mundo todo para falarem sobre o mesmo tema no mesmo dia. Em 2011 o Blog Action Day acontece no Dia Mundial da Alimentação e o assunto em pauta é comida. Entre no site e veja a relação completa dos blogs participantes.







