
Norrland é a metade norte da Suécia. Na verdade é um pouquinho mais, pois representa cerca de 59% do território do país. Apesar do tamanho, nela se concentra pouco mais de um décimo da população sueca. As outras duas regiões (Götaland, ao sul, e Svealand, ao centro) são mais desenvolvidas e povoadas, mas Norrland, repleta de florestas, rios e lagos, com certeza é a mais bonita. Sabe aquelas imagens clássicas de casinhas de madeira ao lado de lagos que vêm à nossa cabeça quando pensamos na Suécia? Pois é lá que você irá encontrá-las! A paisagem chega a ser monótona, pois é uma sequência sem fim de cenas clichês deslumbrantes. Para todo o lado que se olha, as casinhas, as florestas e os lagos estão lá para nos encantar.

Para nós, Norrland representa também a parte mais legal das últimas férias. Conhecer essa região de qualquer forma já seria um ponto alto da viagem, mas percorrê-la com a Laura e o Erik tornou a experiência ainda mais especial. Além de termos feito o percurso de carro, podendo parar pelo caminho, aprendemos muito mais sobre a cultura local com a companhia deles.
Saímos de Västerås rumo ao norte e o Erik inseriu várias paradas interessantes no roteiro. A primeira delas foi Engelsberg, um antigo complexo industrial para fundição de ferro. Sua origem remonta a 1681, quando o primeiro forno foi construído. Seu ápice se deu no século XVIII, mas no século seguinte técnicas mais modernas de siderurgia provocaram seu declínio e o fechamento definitivo em 1919. Por estar tão bem preservada e por representar uma atividade econômica que já foi muito importante para a Suécia, Engelsberg foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.




De lá partimos para Falun, uma enorme mina de cobre, também Patrimônio da Unesco, que operou desde o século IX até 1998, quando os depósitos de minérios se esgotaram. A mina é gigantesca. Olhando fica fácil entender como ela era maior mina de cobre do mundo no século XVII. A única atividade industrial remanescente em Falun é a extração do corante vermelho que há muito tempo dá cor às típicas casas de madeira da Escandinávia.
É possível descer na mina, um passeio que eu acredito que seja um pouco claustrofóbico, mas que nós não fizemos. Ficamos apenas na parte de cima, onde há um museu e diversas construções interessantes, como uma enorme roda d'água.






Uma construção super interessante é a que protege um poço com mais de 200 metros de profundidade aberto em 1662 para bombear água e içar os minérios. Um sino ligado à bomba pode ser ouvido até hoje. Ele era usado como aviso. Caso a bomba parasse de funcionar, o sino pararia de tocar.
Falun foi também uma ótima parada para matar a fome, pois possui alguns cafés e um restaurante buffet. Nós almoçamos no restaurante, ao lado de macieiras carregadas, bem comuns na Suécia na época em que estivemos lá.

A próxima parada foi Tällberg, uma cidadezinha turística à beira do Lago Siljan com cerca de 500 habitantes. É um destino famoso para casais, tanto no inverno, quanto no verão. Todas as construções são de madeira e parece que todas elas são hotéis ou restaurantes. A Laura e o Erik só tinham estado lá no inverno e disseram que o visual com o lago congelado é completamente diferente.




Nosso destino final do dia era a fazenda da avó do Erik, em Helgum, a quase 500 km de Västerås. Chegamos lá no fim do dia. Apesar de ainda ser verão (final de agosto), os termômetros marcavam 9º. Às 22h o sol ainda estava se pondo. Foi um momento mágico! Imagino que deve ser ainda mais emocionante estar ali no auge do verão, quando o sol nem mesmo se põe completamente.



Eu ficava vendo as casinhas de madeira pela janela do carro e sentia curiosidade de saber como elas eram por dentro. Então adorei passar a noite em uma delas. A fazenda é da família há mais de um século e a casa foi reconstruída na década de 30 após um incêndio. O que mais me intrigava era entender como essas casinhas tão delicadas conseguem suportar o frio congelante da região. Elas aguentam bem, mas ainda assim é complicado no inverno. Tanto que hoje a avó do Erik só fica por lá durante o verão. Quando o frio chega, ela volta para sua casa no sul da Suécia, que é um pouco "mais quente".



Mais o mais legal de tudo foi ser recebido pela Família Engsten! Foi uma experiência única que com certeza ficará para sempre em nossas memórias!








