A Finlândia é uma extensão natural de uma viagem à Suécia. Helsinque pode não exercer tanta atração quanto Estocolmo, mas quando você já está tão pertinho, por que não? A distância não é mesmo grande: em linha reta, cerca de 400 km separam as duas capitais. A viagem por terra só é viável se a Lapônia também estiver em seu roteiro, caso contrário as opções são o ar e o mar. O avião pode ser o meio mais rápido, mas o mais interessante com certeza são os navios que fazem o trajeto vagarosamente em meio às inúmeras ilhotas que existem entre os dois países.

As duas principais empresas que prestam o serviço são a Viking Line e a Tallink Silja Line (a empresa estoniana Tallink adquiriu a finlandesa Silja Line em 2006). Os horários são mais ou menos os mesmos. Nós escolhemos a Tallink Silja. Nosso barco, o Silja Serenade, partiu de Estocolmo às 17h e o desembarque em Helsinque ocorreu no dia seguinte às 10h (o fuso horário da Finlândia é uma hora adiantado em relação à Suécia). É uma viagem longa, mas que passa rapidinho.

Nós compramos as passagens pelo site com mais de um mês de antecedência e assim conseguimos um desconto de 15%, mas sem opção de cancelamento. A compra foi super simples e o pagamento foi feito com cartão de crédito internacional. O embarque em Estocolmo também foi muito tranquilo. Chegamos com cerca de uma hora de antecedência. Apesar da fila que se formava no terminal de embarque, fizemos o check-in em poucos segundos em uma das máquinas de auto-atendimento espalhadas pelo saguão, para as quais não havia filas. Imprimimos nossos cartões de embarque, que usamos num leitor de código de barras na hora de entrar no navio, e pronto! É ou não muito mais fácil do que passar pelas chatices dos aeroportos? ;-)


Entramos e fomos direto deixar nossas malas no quarto. Para não dizer que economizamos muito, nós não compramos a cabine mais barata, mas a segunda com melhor preço! :-) As mais baratas são aquelas que ficam acima e abaixo dos decks para carros e costumam ser ocupadas por estudantes que fazem a viagem em busca de festa, por isso preferimos evitá-las.
Nosso quarto, mesmo não sendo luxuoso, até que me impressionou. As camas eram separadas, mas na hora de dormir nós fizemos uma pequena mudança e tivemos uma enorme cama de casal. ;-) O banheiro também era melhor do que eu esperava, totalmente "utilizável". Como estávamos no final do corredor, não ouvimos muito barulho dos quartos ao lado ou de pessoas passando. A única parte chata era não ter janelas, mas ficamos lá pouco tempo e isso não chegou a ser um problema. Nosso deck era o penúltimo e na hora de dormir dava para perceber um leve balanço, mas nada que nos incomodasse. Considerando os preços de hotéis na Escandinávia, a viagem de navio acaba sendo uma grande pechincha!




Eu nunca estive em um cruzeiro, por isso nessa viagem foi tudo uma grande novidade. Acho que o Silja Serenade tem a medida certa para apenas uma noite. Há alguns restaurantes à la carte, um buffet e algumas lanchonetes espalhadas pelo navio. Nós reservamos o buffet de café da manhã quando compramos as passagens, mas não sei se foi um bom negócio. Não havia muita opção de pratos e o ambiente era bem cheio e confuso.
Mas a grande atração para maioria das pessoas são as lojas! Muita gente faz a viagem apenas para comprar. As lojas de cosméticos e de conveniência tax free estavam sempre lotadas. Bebidas e cigarros eram as seções mais concorridas.


Por isso eu disse que uma noite para mim foi suficiente, pois essa história de lojas e compras me cansa rapidamente. Eu gostei mesmo foi do deck externo. A maior parte do caminho é entre pequenas ilhas que pontilham o Mar Báltico (uma delas, Mariehamn, é uma escala do Sila Serenade, mas como aconteceu tarde, por volta de meia-noite, nós nem percebemos a parada). Nas primeiras horas de navegação as ilhas tinham um perfil mais "urbano" e eram cheias de casas e lanchas. Outras eram desabitadas. Achei muito interessante ver casas naqueles lugares aparentemente no meio do nada, com acesso ao continente apenas pela água. Não eram simples casinhas de pescadores, mas ainda assim fiquei fascinada!




Infelizmente não deu para a aproveitar a paisagem tanto quanto eu gostaria. Apesar de ser verão e a luz não ser o problema, o vento nos impediu de continuar lá em cima por muito tempo. Quando o Sol ainda ensaiava se pôr, o frio já estava ficando chato e nós preferimos descer. Por isso uma cabine com vista para o mar seria interessante. ;-)


Na manhã seguinte conhecemos Helsinque sob um céu bem feio. Do navio já era possível avistar seus principais pontos turísticos: as catedrais Tuomiokirkko, à esquerda, e Upenski, à direita. Mas esse já é assunto para o próximo post!








