Tirana, a capital da Albânia

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Eu não sabia praticamente nada sobre Tirana até chegar lá. Acho que só sabia que era a capital da Albânia e nada mais. Não sabia nem mesmo onde ficava a rodoviária da cidade, mas pelo jeito ela ficava longe da área “turística”, pois, quando o ônibus parou no meio da cidade para algumas pessoas descerem, um passageiro disse que deveríamos descer ali também e então pegar um táxi. Mais uma vez éramos os únicos turistas no ônibus e ninguém falava inglês. Bateu aquela insegurança, mas confiamos no rapaz. Geralmente turistas com cara de perdidos despertam compaixão ou são vistos como presas fáceis. Nesse dia nos encaixamos no primeiro grupo, felizmente!

Tirana, capital da Albânia

Descemos do ônibus, andamos um pouco para nos desvencilharmos do assédio dos taxistas e nos situamos com o GPS do celular. Estávamos um pouco longe do hotel, mas ainda era início da tarde e a região em que estávamos tinha calçadas largas e arborizadas, então preferimos ir andando. Com as nossas mochilas levinhas foi tarefa fácil. Era nosso primeiro contato com a cidade e no caminho fomos passando por várias cafeterias legais. Foi uma boa recepção.

Praça Skanderbeg

Mal deixamos as coisas no hotel e já voltamos pra rua. Andamos no entorno da Praça Skanderbeg, mas ficamos meio frustrados. O trânsito estava caótico e barulhento e sentimos que os pedestres não eram respeitados nem mesmo nas faixas em que havia semáforo. E por todo lugar víamos bueiros sem tampa. Não dava para tirar o olho do chão! Também achamos que por ali havia uns tipos meio esquisitos. Resumindo, o lugar não nos transmitia muita segurança. Tínhamos tido uma ótima primeira impressão, mas essa pequena volta deu uma esfriada nos nossos ânimos.

Museu Histórico Nacional

(Na Praça Skanderbeg fica o Museu Histórico Nacional, esse prédio aí em cima. Dizem que é muito legal, mas não visitamos porque que ele estava fechado quando estivemos lá, se preparando para receber o Papa Francisco no dia em que fomos embora.)

Só quando chegamos ao Parque Rinia é que relaxamos um pouco. O parque fica quase ao lado da Praça Skanderbeg e é um lugar super agradável. Ele estava cheio de gente e lá não tínhamos que nos preocupar com buracos no chão ou com o avanço dos carros. Perfeito!

Parque Rinia - Tirana

Parque Rinia - Tirana

Monumento ao 100º aniversário da Albânia

Conforme a noite se aproximava, a região ia se enchendo de gente voltando para casa e nós aproveitamos o movimento para admirar a luz linda daquela hora. Que céu!

Ainda deu tempo de ver dois pontos turísticos que ficam logo ao lado da praça: a Torre do Relógio e a Mesquita Et’hem Bey. A mesquita é uma das construções mais antigas da cidade, construída entre 1789 e 1823. É até estranho que ela tenha permanecido de pé após a “Revolução Cultural e Ideológica” promovida pelo ditador Enver Hoxha. Ele fechou todos os templos, baniu as práticas religiosas e decretou a Albânia um estado ateu. Et’hem Bey ficou fechada durante esse período, mas foi mantida por ser um monumento cultural.

Praça Skanderbeg

Praça Skanderbeg

Torre do RelógioMesquita Et'hem Bey

Tirana

Para encerrar a noite, jantamos em um restaurante perto do hotel chamado Ulqini. Eles não tinham menu em inglês, mas o atendimento foi excelente e a comida boa e barata, como sempre na Albânia.

Na manhã seguinte estávamos com os ânimos renovados e dispostos a esquecer os bueiros abertos de Tirana. Para começar o dia com o pé direito, tratamos de procurar uma rua para pedestres e nos dirigimos diretamente a ela: a Murat Toptani. Não era uma rua para pedestres importante como as que vimos em Skopje ou Pristina, mas era um lugarzinho bem agradável. No início dela vimos a Fortaleza de Justiniano, um dos poucos vestígios do período bizantino na cidade. Não demorou muito para que eu fizesse as pazes com Tirana.

Murat Toptani

Fortaleza de Justiniano

No caminho fomos passando por várias estátuas. São muitas espalhadas pela cidade e depois de um tempo eu até deixei de verificar a quem elas homenageavam.

Estátua em TiranaEstátua em Tirana

Continuando nossa caminhada, seguimos para um dos principais pontos turísticos de Tirana, a Pirâmide. Esse trambolhão foi desenhado pela filha de Enver Hoxha para sediar um museu dedicado a ele após sua morte. Por isso, e também por sua aparência duvidosa, a Pirâmide acabou se tornando um dos símbolos do período comunista na Albânia e virou um elefante branco com o qual ninguém sabe o que fazer. Enquanto não decidem se o mantém ou derrubam de vez, os jovens vão se apossando da parte externa do prédio. É um trambolho, mas até que é fotogênico, não é?

A Pirâmide de Tirana

Continuamos andando pelo Boulevard Dëshmorët e Kombit e chegamos ao Postblloku, que pode ser traduzido como Checkpoint. O lugar é um “memorial ao isolamento comunista” e abriga três símbolos da repressão do regime: um pedaço do muro de Berlim, pedaços de concreto de uma mina do campo de concentração para prisioneiros políticos Spaç (que funcionou na Albânia entre 1968 e 1990) e um dos milhares de bunkers que Hoxha construiu no país.

Pedaço do muro de Berlim

Bunker albanês

Tirana (24)

O lugar em que o memorial se encontra tem um significado especial, pois é justamente na entrada do Blloku, uma área que até pouco tempo era proibida para a população em geral, pois era lá que Enver Hoxha e seus chegados viviam. O lugar foi uma espécie de quartel general durante a ditadura. A casa de Hoxha ainda está de pé, fechada, mas impecável. Eu tinha lido que ela ficava sob vigilância armada constante, mas não vimos ninguém lá e tiramos a foto sem problemas. Bom, confesso que tirei meio correndo, porque sei lá o que albaneses pensam disso, né?

Casa de Enver Hoxha em Tirana

Mas hoje Blloku tem um astral bem diferente. Virou um daqueles lugares da moda cheios de bares, cafés, lojas sofisticadas, carros caros e gente chique. E lá os bueiros são tampados! As ruas e calçadas são bem estreitas. Vimos muitos casarões abandonados e era interessante observar o contraste entre os bares bares moderninhos no térreo e os apartamentos no tijolo nos andares de cima. Imagino que deve ser aquele história de pagar menos imposto por obras inacabadas que a gente vê em muitos lugares do mundo. De qualquer forma, o que senti em Blloku foi que ele é um bairro ainda em busca de uma identidade. Sei lá, não vi muita graça.

BllokuBlloku

Blloku

De Blokku começamos a fazer o caminho de volta. Passamos pelo Rio Lanë, andamos por uma área mais comercial e depois pela que abriga os prédios públicos. Vimos pouquíssimos turistas nesse tempo todo, poucos mesmo, no máximo um dez, então tínhamos a impressão de estar acompanhando a vida normal da cidade.

Rio Lanë, em Tirana

Ponte sobre o Rio Lanë

Tirana

Tirana

Tirana

Voltamos para a rua de pedestres, a Murat Toptani, e dessa vez fomos até o final dela. Foi aí que descobrimos que ela era bem maior do que o trechinho que tínhamos percorrido antes. No finalzinho dela chegamos à Rua President George W. Bush e logo em seguida novamente ao Rio Lanë. Ao lado do lugar em que a rua e o rio se encontram fica a Ponte de Tabak (Tanners’ Bridge, em inglês), uma ponte do período otomano. Ela foi construída no século XVIII e até a década de 30 a água corria por baixo dela, mas o curso do Rio Lanë foi alterado e desde então ela está seca.

Ponte de Tabak (Tanners' Bridge)

Pouco antes de chegar à ponte, tínhamos visto vários restaurantes, então voltamos lá para almoçar. O primeiro garçom que nos atendeu “só” falava albanês, italiano e francês, então chamou um outro que falava inglês para facilitar. E aí o atendimento virou uma diversão! Além de falar inglês, ele arranhava umas palavras em português, umas palavrinhas básicas, como morena, bonita e obrigado. Ficou todo empolgado quando soube que éramos brasileiros e eu, é claro, quis saber como é que tinha surgido esse interesse pelo Brasil. A resposta? De “Boulevard Brasil”! É claro que antes de me despedir soltei um oioioi. 🙂

Restaurantes em Tirana

Depois da andança toda e de um almoço demorado, estávamos cansados. Fazia muito calor, então voltamos para o hotel para descansar um pouco. Só saímos novamente no fim da tarde. Comemos uma pizza rápida num pequeno shopping perto do hotel e tomei meu último sorvete na Albânia (tem pra todo lado e é super barato). Naquela madrugada partiríamos para a Bulgária. Nos sentamos na Praça Skanderbeg e ficamos assistindo ao dia ir embora.

Praça Skanderbeg

Passamos poucos dias na Albânia e o tempo todo nossas impressões iam do amor à frustração em poucos segundos. Amor pelo povo que nos recebeu tão bem e pelos lugares lindos que conhecemos. Frustração pela falta de infra-estrutura, por tudo o que o país merece ter e não tem. Mas no fim das contas foi o amor que prevaleceu. Fomos embora com vontade de ficar mais tempo e já fazendo planos de voltar. E sem dúvidas vamos voltar!

Veja todos os posts sobre a minha viagem aos Balcãs.

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2 Comments

  1. Elci Filho Oliveira

    Prontinho, preciso nem ir lá para conhecer, pela narração rica nos detalhes, já conheço Tirana como a palma de minha mão….rsrsrs

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