O Lago Sevan, na Armênia, e a história de uma foto

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O Lago Sevan é um popular destino de verão na Armênia. Ele é o maior lago do Cáucaso, em seus pontos máximos tem 74 quilômetros de comprimento, 32 de largura e 80 metros de profundidade. Não é pouca coisa, ainda mais em um país sem saída para o mar. A questão é que nós fomos à Armênia em abril, o verão ainda estava longe. E as temperaturas em Sevan são mais baixas que em Yerevan, o inverno lá é mais longo. Não me parecia um bom destino para aquele momento, mas o Eduardo achou melhor incluí-la no roteiro, afinal, quando voltaríamos à Armênia?

Mosteiro de Sevan

Na hora de reservar o hotel ficou ainda mais claro que não era um bom momento. Não havia quase nada disponível e a maioria das poucas opções de hospedagem abertas não tinha uma boa avaliação no Booking. Reservamos a melhor, mas um tempo depois recebemos a notícia de cancelamento da reserva. O motivo era que o resort havia encerrado suas atividades. Era um sinal, mas nós o ignoramos e reservamos outro, mesmo com muitos comentários nos alertando que ele era ruim. Vou poupá-los dos detalhes da nossa péssima experiência, mas vocês podem ver a fria em que nos metemos no post sobre Hospedagem na Armênia. Para não dizer que era tudo um fiasco, a vista do hotel era ótima. Pena que fazia tanto frio e ventava tanto que mal conseguíamos ficar na área externa.

Hotel no Lago Sevan

Para ganhar tempo, fomos direto de Goris a Sevan antes de voltar para Yerevan. Como não existe transporte público nesse trajeto, fomos de táxi. No post sobre Transporte na Geórgia e na Armênia contei para vocês que esse é o fraco daquela região. Mas nesse caso a viagem foi tranquila, o motorista não era um dos malucos que a gente vê pelo Cáucaso, a estrada estava vazia e a paisagem era bem bonita. À medida em que nos distanciávamos de Goris aparecia mais neve, o que era lindo, mas nos deixava com medo do que iríamos encontrar no Lago Sevan.

Caminho de Goris a Sevan

Caminho de Goris a Sevan

Caminho de Goris a Sevan

Caminho de Goris a Sevan

Em certos momentos o motorista até nos perguntou se queríamos parar e descer do carro, mas nós não estávamos com roupas e sapatos apropriados para encarar a neve. Meu singelo All Star ficaria encharcado, mas até hoje me arrependo por não ter descido para conhecer o Caravanserai de Orbelian, uma estalagem para viajantes construída em 1332. Só a vi assim, da beira da estrada, quase soterrada pela neve.

Caravanserai de Orbelian

Mas, afinal, o que nos fez ir a Sevan mesmo sabendo que não era a época mais propícia? Bom, qualquer roteiro de viagem à Armênia é repleto de igrejas e mosteiros e em Sevan está um dos mais fotogênicos: o Mosteiro de Sevan.

Mosteiro de Sevan

O Mosteiro de Sevan foi fundado em 874. Ele abriga duas igrejas, a Surp Arakelots (Santos Apóstolos) e a Astvatsatsin (Santa Mãe de Deus), além de ruínas de antigas construções. Durante o regime soviético ele foi abandonado e praticamente destruído, sendo reconstruído décadas depois.

Mosteiro de Sevan

Mosteiro de Sevan

O que diferencia o Mosteiro de Sevan dos demais templos armênios é sua localização. A vista das igrejas com o Lago Sevan e as montanhas nevadas ao fundo é digna de cartão-postal. Dizem que a paisagem era ainda mais bonita até a década de 50, quando a drenagem do lago para irrigação e produção de energia abaixou seu nível em 20 metros. O mosteiro, que foi construído numa ilha, desde então se encontra em uma península. Mais uma obra sob regime soviético… Um projeto recente está tentando aumentar o nível da água do lago e tem obtido sucesso.

Mosteiro de Sevan

Lago Sevan

É meio complicado se locomover em Sevan sem carro. Os resorts, inclusive aquele em que nos hospedamos, ficam fora da cidade, a caminho da península. Para não ter que ficar andando a pé naquele vento, preferimos chamar um táxi que nos levasse ao mosteiro antes de nos deixar no centro da cidade, onde pegaríamos o ônibus para Yerevan.

Mosteiro de SevanAssim fizemos, mas quando chegamos na base do Mosteiro de Sevan vimos que o carro só chegava até lá embaixo. O restante tínhamos que subir a pé. Tudo bem, não somos preguiçosos, mas lembram que estávamos a caminho do ponto de ônibus? Pois é, estávamos com toda nossa bagagem. Não tínhamos coragem de deixar as mochilas no táxi, todos os nossos pertences estavam lá. O que fazer? Subir com as mochilas, claro! Ainda bem que a gente viaja com uma bagagem minúscula, mas mesmo assim subir aquele morro com 7 ou 8 quilos nas costas foi uma bobeira e tanto! Um fiasco atrás do outro, isso sim!

Mosteiro de Sevan

Quando chegamos lá em cima o Eduardo estava num mau humor só. E foi ele quem inventou de irmos a Sevan! Ventava pra caramba, fazia muito frio e estávamos cansados por subir com a mochila. Sem contar a experiência terrível no hotel, tínhamos dormido e comido super mal, aquela sequência de roubadas. Mas já estávamos lá, então pelo menos aproveitei para tirar um monte de fotos, inclusive a clássica, digna de cartão-postal, da igreja com o lago ao fundo. E depois quem só vê a foto nem imagina a aventura que foi para conseguir tirá-la.

Mosteiro de Sevan

Se valeu a pena todos os perrengues só para ter essa imagem? Acho que não. Teria sido melhor fazer um mero bate e volta de Yerevan a Sevan, especialmente fora de temporada, como era nosso caso. Apenas 65 quilômetros separam as cidades, cerca de uma hora de viagem, então é bem possível ir e voltar no mesmo dia. Várias agências em Yerevan oferecem o passeio e também é bem fácil fazê-lo com um táxi/motorista particular. Como eu sempre digo, o blogueiro vai (e erra) antes pra você depois viajar melhor. =)

Fontes das informações históricas: Guia Lonely Planet e Wikipédia.

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2 Comments

  1. Pelo história eu achei que vale a pena o perrengue pela foto, hein? Mas eu sou suspeito, tem que ser uma treta muito grande pra eu achar que não vale a pena uma foto, ainda mais com uma paisagem linda dessas 🙂
    Abraços,
    Helder

    • Camila Navarro

      Você é suspeito mesmo, Helder! O Eduardo não pensa igual, aposto que ele não voltaria a Sevan. hehe

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