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Santuário do Caraça

Caraça Às vezes um aparente contratempo se transforma naquilo que deveria ter sido planejado desde o início. Foi o que aconteceu com a gente no final dessa viagem. Como ficamos menos tempo do que imaginávamos na região de Diamantina, sobrou um tempinho para conhecermos mais alguma atração. Pensamos em voltar a Tiradentes ou passarmos em Mariana, mas, não sei o porquê, o Caraça surgiu na minha cabeça. Foi assim mesmo, de última hora. Eu dei a sugestão, o Eduardo aceitou, e lá fomos nós!
 
A intenção era ir para Santa Bárbara, a cidade mais próxima do acesso ao parque, passar o restante do dia lá, visitar as atrações e no dia seguinte conhecer o Caraça. Mas quando chegamos à cidade, tivemos uma decepção: além de não parecer nem um pouquinho turística, estava em obras! As ruas próximas à igreja principal estavam interditadas ou cheias de lama e a locomoção, a pé ou de carro, estava bastante prejudicada.
 
Fomos direto ao Hotel Quadrado, que de acordo com as informações do Guia 4 Rodas era a melhor relação custo-benefício da cidade: um casarão da década de 20 restaurado e diárias entre 70 e 100 reais. Mas, chegando lá, as diárias eram mais que o dobro do informado, o atendimento não foi nem um pouco simpático, a rua estava coberta de lama e nessa hora nós pensamos "O que viemos fazer aqui?".

Para não perder a viagem, entramos na Matriz de Santo Antônio, que fica em frente ao hotel, e não nos arrependemos. Realmente valeu a pena passar ali e ver as pinturas no teto, os detalhes nas paredes, os altares laterais que chegam a brilhar. Uma das igrejas mais bonitas que já vi!
 
Santa Bárbara - Matriz de Santo AntônioSanta Bárbara - Matriz de Santo AntônioAinda não tínhamos almoçado, mas achar um bom restaurante naquela confusão não parecia nada fácil. Pensamos em desistir e ir direto pra BH, mas estávamos ali tão pertinho do parque para ir embora sem conhecê-lo... Então partimos em busca de outras opções de hospedagem, próximas à entrada do parque.

Para entender um pouquinho a localização, é preciso saber que da MG 436 sai uma estrada com cerca de 20 km que leva ao parque. Ao longo dessa estrada, chamada de Estrada do Caraça, há um pequeno povoado chamado Sumidouro com algumas opções de hospedagem e alimentação, tudo bastante simples.

Ligamos em uma das pousadas, a Pousada do Sumidouro, que fica a 4 km da entrada do parque, mas não haviam mais vagas. No nosso guia havia a informação de que dentro do parque existia "uma modesta pousada" e mais nenhuma informação! Não sabíamos o preço, a estrutura, nada! Tentamos ligar na sede, mas o telefone informado no guia estava errado.
 
Como o Caraça não estava nos nosso planos iniciais, não tínhamos feito a lição de casa e estávamos totalmente perdidos.! Já era quase 17:00, horário em que a portaria do parque fecha, mas resolvemos arriscar e ir até lá. Na portaria o segurança nos informou mais ou menos como funcionava a pousada, mas ele não tinha muitas informações. Mas pelo menos ele nos passou o número correto e nós ligamos e ficamos sabendo que a diária custava R$ 150,00 por casal e que nesse preço estavam incluídas a pensão completa e a entrada (R$ 10,00 por automóvel).
 
Bom, já que ficamos sabendo que teríamos lugar para dormir e não morreríamos de fome, topamos na hora! E pra que mais ninguém vá pra lá tão desinformado quantos nós, está aqui o link do Santuário do Caraça: http://www.santuariodocaraca.com.br
 
Parque do Caraça
Santuário do CaraçaNo primeiro momento eu não vi graça nenhuma na hospedagem. Os quartos são super simples, não têm sequer televisão. É só mesmo o básico: a cama, poucos móveis e o banheiro. Infelizmente eu não tirei nenhuma foto, mas no site é possível ver os quartos. Quem estiver procurando luxo irá ficar decepcionado, mas quem quiser vivenciar uma experiência única tem que se hospedar lá!

Como chegamos já tarde e nesse dia o tempo estava chuvoso, restou pouco tempo para conhecermos o lugar. Ainda assim foi impossível não ficar maravilhada!
 
Santuário do CaraçaAntigo ColégioSantuário do CaraçaMal nos instalamos e aconteceu um "pequeno" imprevisto: a energia acabou! E não, lá não tem gerador... O Eduardo ficou o tempo todo falando que eu estava resmungando à toa (e eu resmunguei muito), que aquilo deixaria nossa experiência muito mais emocionante, mas eu não achei nada divertido andar com uma vela na mão em um prédio do século XVII. :(

O fato é que, apesar dos meus protestos, a luz só voltou durante a madrugada e nós passamos a noite assim:
 
Santuário do CaraçaSantuário do CaraçaPara não falar que eu não consegui ver nada de bom nisso, nós jantamos à luz de velas! A comida era a típica mineira (arroz, frango, macarrão, sopa) feita no fogão à lenha. Simples, mas muito saborosa. De sobremesa havia arroz doce. Nas enormes mesas compartilhadas, haviam mais europeus que brasileiros. Muitos vão até lá por motivos religiosos, em peregrinação, mas há também aqueles que, como nós, querem apenas ter um contato com natureza e conhecer a história do lugar.

Uma das grande atrações do Caraça é o lobo-guará, que todos as noites, desde 1982, é alimentado pelo padres. Hoje ele está tão habituado que sobe as escadas para comer perto das pessoas. Mas ele não é assim tá domesticado como se pode pensar. Ele é bem arisco e desconfiado, pega um pedaço de comida e desce as escadas. Depois volta... É um lindo espetáculo! O lobo é enorme, imponente, lindo! Estar ali à noite para presenciar sua aparição já vale a estadia!
 
Lobo-guaráLobo-guaráJá que não havia energia e não tinha nem como assistirmos tv na sala comunitária, dormimos cedo nesse dia. E acordamos cedo no dia seguinte para aproveitar o bom tempo. Depois de muitos pães de queijo no café da manhã, fomos explorar melhor o parque.

Começamos pelo "Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens", a primeira igreja neogótica do Brasil, construída entre 1876 e 1883 e onde ainda hoje são realizadas as missas.

Santuário do CaraçaSantuário do Caraça
Santuário do Caraça
Em seguida, fomo às catacumbas, onde estão enterrados vários padres e alunos do colégio e também visitantes, o que me impressionou. A explicação que recebi é que por volta de 1800/1900 algumas pessoas que estavam só de passagem pelo Santuário morriam e como naquela época o transporte ainda era precário (e o Santuário ficava no meio do nada!) elas tinham que ser enterradas ali mesmo.
 
CatacumbasO que mais me marcou mesmo foram as ruínas do antigo Colégio do Caraça, onde estudaram vários personagens ilustres da nossa história, como os ex-presidentes Afonso Pena e Artur Bernardes. Em 1968 um incêndio destruiu o colégio. Felizmente ninguém se feriu, mas a estrutura ficou seriamente danificada e o colégio foi fechado permanentemente. Além disso, obras únicas e preciosas que se encontravam na biblioteca foram destruídas...

O prédio foi restaurado em 2002 e hoje nele funciona um museu que conta a história do Colégio. Há também alguns exemplares de livros bem antigos que conseguiram salvar do fogo. Alguns estão bem chamuscados...
 
Apesar de ter uma história triste, achei as ruínas simplesmente maravilhosas! Pensando bem, não há nada demais nele, mas eu achei o prédio simplesmente lindo!
 
Parque do CaraçaParque do CaraçaO jardim é outra atração. Super bem cuidado, cercado de mata, ele nos convida a passar horas apenas contemplando a natureza e as construções que tão bem se harmonizam com tudo em volta...
 
Santuário do CaraçaSantuário do CaraçaSantuário do CaraçaSantuário do CaraçaParque do CaraçaE pra ficar ainda mais sossegado e meditar á vontade, basta subir até o mirante, sentar em uma das pedras e contemplar o lugar.
 
Parque do CaraçaParque do CaraçaParque do CaraçaVisitar o Caraça realmente foi uma experiência única. Impossível resumir aqui toda a história e magia do lugar. E nós não aproveitamos tudo. Há várias trilhas, cachoeiras e passeios ao ar livre para quem estiver com mais tempo e disposição. Acho que o destino é pouco divulgado e muito injustamente. Com certeza foi o desfecho perfeito para nossa viagem.
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