A minha Amazônia

0 Flares 0 Flares ×

AmazôniaQuando o avião começou a se aproximar de Manaus e eu vi aquela imensidão de água e verde a perder de vista, uma emoção que eu não esperava sentir tomou conta de mim. Nenhuma foto, nenhuma aula de geografia, nenhum título de maior isso, maior aquilo tinham me preparado para avistar o Rio Amazonas. Ele era muito mais majestoso do que eu poderia imaginar. O único adjetivo que me vem à mente para descrevê-lo é justamente indescritível. Eu só conseguia pensar que todo mundo merece e precisa estar pelo menos uma vez naquele lugar para apreciar e dar valor ao nosso maior tesouro natural, a Floresta Amazônica.

Pena que na hora em que o rio se mostrava de verdade, já ao lado de Manaus, os equipamentos eletrônicos já tinham que estar desligados e eu não pude fotografar a imagem que tirou meu fôlego. Mas o que eu vi um pouquinho antes também já deixava qualquer um babando.

Avistando a Amazônia pelo aviãoAvistando a Amazônia pelo aviãoAvistando a Amazônia pelo avião

Naquele momento eu me perguntava por que eu havia demorado tanto a chegar até ali. Eu já tinha ido ao outro lado do mundo, mas ainda não tinha estado no norte do meu próprio país. Mas eu sei a resposta. A verdade é que até pouco tempo a Amazônia não me atraía. Eu costumava enxergá-la como coisa para gringo ver. Imagens de turistas com cobras enroladas no pescoço e nadando com botos me pareciam essencialmente exploratórias e nada sedutoras para mim. Eu continuei pensando assim até aparecerem os posts no Gabriel quer viajar sobre a Reserva Mamirauá. Foi a primeira vez que ouvi falar nela e então eu decidi: é essa a Amazônia que eu quero conhecer!

Passeio na Reserva Mamirauá

Desde então Mamirauá esteve no topo da minha lista, mas sempre aparecia alguma outra viagem para as férias e a Amazônia foi ficando para depois. Até que, no final do ano passado, uma ótima chance surgiu. Foi na semana em que voltamos do Sudeste Asiático. Ainda estávamos meio zonzos pelo jet lag, mas já sentindo a típica depressão pós-viagem. E qual a forma de cura mais rápida? Planejar uma nova viagem, oras! A oportunidade era tentadora demais: um projeto da Reserva Mamirauá na Garupa que me permitiria fazer uma boa ação e ao mesmo tempo tirar do papel a minha vontade de ir à Amazônia.

Reserva Mamirauá

A Garupa é uma plataforma de crowdfunding para o turismo sustentável. Traduzindo, é uma espécie de vaquinha online que arrecada recursos para desenvolver propostas relacionados ao turismo sustentável no Brasil. Funciona mais ou menos assim: um estabelecimento tem uma proposta bacana para desenvolver o turismo em uma localidade, sempre preservando os recursos naturais e culturais de um lugar e gerando um impacto positivo na comunidade, e leva essa proposta à Garupa. Se ela for selecionada, é lançada uma campanha no site. O valor da arrecadação a ser atingido é divulgado e há várias opções de valores para doação, cada um relacionado a alguma recompensa. Se a meta for atingida, o valor é repassado ao estabelecimento e o projeto é executado, caso contrário as doações retornam aos doadores.

O projeto relacionado à Reserva Mamirauá na Garupa planejava levar um professor de inglês para ficar lá durante um ano ensinando a língua à comunidade da reserva, especialmente àqueles que trabalham na Pousada Uacari e lidam diariamente com turistas estrangeiros, a maioria do público que visita a região. A campanha foi bem sucedida e arrecadou 142% da meta prevista. Você pode ver mais detalhes do projeto aqui.

Lago Mamirauá

Uma das doações possíveis – no valor de R$ 1.000,00 – tinha como recompensa um pacote de 3 noites na pousada para uma pessoa. Esse mesmo pacote normalmente custa R$ 1.500,00. Seria uma economia e tanto! O problema é que esse pacote vai de sexta à segunda, o que seria complicado para nós que sairíamos de Belo Horizonte. Então entrei em contato com a pousada para verificar as datas e perguntei se seria possível fazer a doação e depois pagar a diferença para que pegássemos o pacote de 4 noites, que vai de segunda a sexta. Proposta aceita, fiz a doação no mesmo dia! E já comprei logo as passagens também. Isso tudo quase 6 meses antes da viagem, que aconteceu no final de maio. Foram as férias mais fáceis de programar que eu já tirei!

O legal de ter ido a Mamirauá através da campanha na Garupa não foi só ter tido um baita desconto, mas também ter ajudado a consolidar um projeto especial que irá aprimorar o turismo na reserva. É como se assim a gente passasse a fazer parte da história do lugar, sabe? Quando estive lá, o professor já havia sido selecionado e acompanhando a página da Pousada Uacari no facebook eu soube que ele já chegou ao local, então as aulas já devem ter começado.

Pousada Uacari

Se você ainda não conhecia a Reserva Mamirauá, talvez esteja agora se perguntando mais sobre ela e sobre essa tal de Pousada Uacari. Eu tinha planejado falar sobre elas nesse post de introdução, mas acho que a conversa já se alongou demais e que é melhor continuar esse papo depois. No próximo post eu explico essa história direitinho e dou todos os detalhes para quem quiser ir para lá. Está oficialmente aberta a Série Amazônia no Viaggiando! 🙂

Veja todos os posts sobre a minha viagem ao Amazonas.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

Continue Viaggiando:

16 Comments

  1. Natalia Gastão

    Adorei o post!
    Sabe que eu também nunca me interessei muito pela Amazônia? Mas já estou sentindo que com os seus posts a coisa vai mudar! Ansiosa pelos próximos!
    Beijão!

    • Natália, eu acho que você iria gostar de Mamirauá! A natureza é linda, avistar os animais é emocionante, mas a melhor parte dessa viagem foi conhecer as pessoas de lá. Foi uma experiência única!

  2. Confesso que a viagem à Amazônia não me seduz tanto assim, principalmente levando em consideração os custos da viagem, mas estou pronto para mudar de ideia. Você teve que tomar vacina para febre amarela?

    • André, eu já tomei a vacina há alguns anos, porque já fui a alguns países que a exigem, mas se não tivesse tomado eu tomaria, apesar de não ser exigido para entrar no Amazonas.

  3. Quais cidades você pretende visitar em uma ida aos Estados Unidos?

  4. Sempre vejo você viajando pra lugares inusitados. Por que você nunca viajou pra Inglaterra, França, Itália, países tão ricos em história (e logo pra você que ama)? Sempre fiquei curiosa quanto a isso haha você não gosta deles?

    • Só porque o tempo que tenho para viajar é curto e não dá para conhecer tudo de uma vez. Um dia chego nesses países.

      Mas tô curiosa com uma coisa… Afinal, é Vitória, Maria ou Juliana?

  5. Muito, muito, muito, muito obrigado pela citação e – principalmente – pela paciência com os problemas lá do blog! =) A propósito: li o seu primeiro parágrafo rindo, porque é exatamente o que você disse. Não dá para descrever a Amazônia.

  6. Liliana Stahr

    Camila, Amazônia é um sonho muito antigo. Mas penso como você e por isso sempre reavaliei se realmente valeria a pena gastar todo aquele dinheiro para no final ter uma experiência de gringo. Nos lençois maranhenses fiz uma visita dessas 100% turista e não me arrependi em NADA, foi maravilhoso e inesquecível. Desde entào eu comecei a sonhar com minha ida à Amazonia de maneira mais real, pois percebi que iria amar mesmo tendo uma visão para ingles ver(já que era a única disponivel que eu conhecia). Não conhecia essa pousada. Tô até com medo de ler seus posts e comprar uma passagem no dia seguinte,rs.

  7. Nossa, não conhecia a Garupa e nem sabia dessa história. Adorei saber. E queria muito ter ido junto hehehe Eu tenho vontade de ir à Amazonia, a floresta, mas tenho receio porque eu tenho fobia de uns certos bichos es. Então eu sempre fico imaginando que talvez seja mais tranquilo ir a Manaus. Eu fui a Belém, e gostei muito, muito, muito mais do que achava, mas não era floresta né? Vou ficar atenta pros seus próximos posts pra ver se daria “pé”pra mim. Mas também tem aquela coisa, ne? Quem tem fobia, como eu, tem que ir meio no susto mesmo, porque senão a gente deixa ela travar nossos sonhos. E aí não pode. É aquela coisa. Vai, e se der medo, vai com medo mesmo rs
    beijos!

    • É, pra ir na floresta mesmo é mesmo inevitável se deparar com os bichos. E nem tô falando dos jacarés e onças, porque desses a gente pode se prevenir, mas dos sapos e lagartixas que aparecem pelo caminho. Sabe que eu até lembrei de você quando vi esses bichinhos na pousada?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *