A louca Hanói

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HanóiAh, Hanói! Louca Hanói! Mesmo agora, quase um ano depois da minha viagem, eu não consigo definir meus sentimentos por essa cidade. É mais ou menos o que aconteceu com La Paz. São lugares que mexeram com todos os meus sentidos. Foram profusões de sons, cores, cheiros e sabores que fizeram com que fosse impossível eu ficar insensível. É tudo muito diferente, fora do padrão. Fora do meu padrão. Sei que em ambas as cidades eu chegava ao fim do dia exausta, mas era aquele cansaço mental, aquela sensação de que não é possível absorver tudo de uma só vez, sabe? Mas se me perguntarem se valeu a pena conhecer La Paz ou Hanói, minha resposta tá na ponta da língua: claro! Para mim são lugares em que a gente precisa ir pelo menos uma vez na vida, pois são únicos.

Mas agora vamos nos concentrar em Hanói! Eu digo para todo mundo que está indo para o Vietnã que é bom deixar pelo menos um dia inteiro para explorar a cidade. Muita gente, na compreensível ânsia de correr logo para Halong Bay, vê a cidade apenas como uma base para pernoite, mas ela é muito mais do que isso. Nós tivemos dois dias inteiros lá, um antes e um depois de Halong Bay, e foi pouco. Tive que priorizar, pois não consegui ver tudo o que eu queria. Por outro lado, foi bom ter uma pausa entre os dois dias, para relaxar um pouco antes de encarar novamente aquela confusão.

Hanói - Old Quarter

Chegamos a Hanói à noite e na manhã seguinte nosso primeiro destino foi o Lago Hoan Kiem, que não ficava muito longe do hotel. Fomos caminhando, enfrentando pela primeira vez o trânsito desafiador do Vietnã, mas foi só chegar lá para acalmarmos os ânimos rapidamente. Era um dia nublado e a poluição da cidade não ajudava, mas ainda assim era um lugar bonito. Fiquei imaginando como deve ser em um dia ensolarado. Será que alguém já viu o lago assim?

Lago Hoan Kiem

Lago Hoan Kiem

Lago Hoan Kiem

No lago fica um dos templos mais importantes de Hanói, o Templo Ngoc Son. Quando entramos nele, nem parecia que estávamos na mesma cidade. O ambiente era tão tranquilo! Mesmo estando lotado, era um lugar bem silencioso. Foi lá que começamos a perceber que os templos no Vietnã eram diferentes dos que tínhamos visto até então. Mesmo sem entender as inscrições em caracteres chineses, percebemos que o templo era dedicado a um herói nacional e que muitas pessoas iam lá deixar suas oferendas.

Templo Ngoc SonTemplo Ngoc Son

Templo Ngoc Son

Templo Ngoc Son

Templo Ngoc SonTemplo Ngoc Son

Templo Ngoc Son

Lembram que no post sobre o Templo da Literatura eu disse que falaria depois sobre a famosa tartaruga? Pois chegou a hora! Reza a lenda que  no século XV o imperador Le Loi recebeu uma espada mágica dos deuses e com essa espada ele expulsou os chineses do Vietnã. Um dia ele estava passeando de barco no lago quando uma grande tartaruga tomou sua espada e mergulhou novamente na água. Le Loi entendeu que a espada tinha voltado para seu verdadeiro dono e nomeou o lago de Hoan Kiem, algo como “‘o lago da espada devolvida”. Por causa disso a tartaruga tem um significado especial para os vietnamitas e no templo há uma enorme tartaruga em exposição. E é tipo uma múmia de uma tartaruga de verdade! Mas há também uma tartaruga centenária (e viva) vivendo no lago. Ela pesa mais de 200 kg e os raros momentos em que ela aparece na superfície são considerados sinais de sorte!

Tartaruga no Templo Ngoc Son

Saindo do templo, fomos explorar melhor o Old Quarter, o centro histórico de Hanói, e é lá que está a cidade que o turista quer ver. À primeira vista é tudo um caos. O trânsito maluco e a fiação mais do que exposta não nos estimulam a observar os detalhes, mas é só a gente se permitir um tempinho para olhar tudo com mais calma que logo descobre a arquitetura charmosa, templos quase escondidos e pedaços de história espalhados no meio da confusão.

Hanói - Old Quarter

Hanói - Old Quarter

Hanói - Old QuarterHanói - Old Quarter

Hanói - Templo no Old QuarterHanói - Antigo portão da cidade

Saindo de lá, já era hora de almoçar. Fomos ao restaurante Minh Thuy’s: pequenininho, familiar, barato e com comida gostosa. Era tudo o que queríamos! Eu fiquei com a minha refeição quase diária no Sudeste Asiático: arroz (fried rice) com vegetais. A situação para os vegetarianos lá não era tão fácil quanto eu imaginava. Ainda bem que eu gosto muito de arroz!

Restaurante Minh Thuy'sRestaurante Minh Thuy's

Nós poderíamos ter aproveitado para conhecer a Catedral de São José, que não ficava muito longe do restaurante, mas saímos de lá correndo porque já estava em cima da hora do nosso próximo compromisso: o Teatro de Marionetes na Água! Compramos os bilhetes de manhã e já não havia muitas opções de horários para a tarde. Fica a dica: compre com antecedência, não deixe para comprar na hora dos espetáculos!

Water Puppet - Hanói

O espetáculo merece a fama que tem. É muito legal! O destaque fica por conta da música, cantada ao vivo. A gente não consegue entender muita coisa da história por causa da língua, mas isso não é o mais importante. Os bonequinhos na água nos contam o que interessa e as vozes dos cantores conseguem passar a emoção necessária. É lindo!

Teatro de marionetes na água, em Hanói

Teatro de marionetes na água, em Hanói

Teatro de marionetes na água, em Hanói

Teatro de marionetes na água, em Hanói

Após o teatro continuamos nossas andança pela cidade. Caminhando pela avenida Dinh Tien Hoang, ao lado do lago Hoan Kien, e continuando na Hang Bai, conhecemos uma cidade mais moderna, bem diferente da confusão que impera no Old Quarter. Ruas largas, calçadas enormes, semáforos, lojas caras… Na verdade, foi ali que Hanói me pareceu mais ocidental.

Praça em Hanói

Nosso próximo destino era o Museu das Mulheres. Confesso que eu não imaginava encontrar um museu tão bacana em Hanói. Era preconceito meu, eu sei, mas agora dou a cara a tapa sem problemas. Eu não esperava muita coisa e fui surpreendida.

Museu das Mulheres

Como o nome já indica, o Museu das Mulheres tem como tema principal as mulheres vietnamitas, em diferentes épocas e aspectos, inclusive em relação à guerra que aqui a gente chama de Guerra do Vietnã. A exposição tem uma montagem ótima e eu nem vi o tempo passar lá dentro. Uma parte que me tocou bastante foi a que fala das mulheres que trabalham nas ruas de Hanói e que às vezes passam dias ou semanas sem ver a família para poder levar um pouco de dinheiro para casa. Me lembrei do livro que li para o #198livros, Paradise of the Blind.

Museu das Mulheres

Museu das Mulheres

Museu das Mulheres

Museu das MulheresMuseu das Mulheres

Uma das histórias mais bacanas que conheci no museu foi a da artista Dang Ai Viet. Essa senhora percorreu mais de 35.000 km no Vietnã, entre 2010 e 2012, nessa scooter aqui embaixo para pintar retratos das Mães Heroicas do Vietnã, mulheres que perderam filhos, maridos ou a própria vida na guerra. Infelizmente não vi suas pinturas no museu, mas nessa reportagem a gente pode ter uma ideia.

Museu das Mulheres

Museu das Mulheres

Fechamos esse primeiro dia com o Tour Gastronômico que eu já detalhei bem aqui no blog. Foi o fim de noite perfeito para nos familiarizarmos com o Vietnã. O dia foi intenso e super bem aproveitado! No dia seguinte fomos para Halong Bay, onde passamos uma noite. Como eu disse ali no inicinho do post, essa pausa foi ótima para recuperar as energias. Após dois dias de deslumbre com a paisagem da baía, estávamos prontos para enfrentar Hanói novamente. No nosso segundo dia na cidade, começamos o roteiro pelo Templo da Literatura, que de tão legal que foi já até ganhou um post especial!

Templo da Literatura

E já que nosso negócio é bater perna, fomos caminhando (coisa rápida, só uns 20 minutinhos) até o Complexo de Ho Chi Minh. Eu comentei que ao entrar nos templos éramos transportados para outro lugar, mas foi nesse complexo que eu realmente senti que não estava em Hanói. Lá não há trânsito e tudo é limpo e impecável. E é uma área grande, o que faz com que seja ainda mais imponente, mas para mim era também uma área fria. Não vi muita graça.

Complexo de Ho Chi Minh

Para os vietnamitas é um lugar sagrado, pois lá fica o Mausoléu de Ho Chi Minh. Dizem que filas enormes na entrada são comuns, mas nós estivemos lá no período em que o corpo de Ho Chi Minh vai para a Rússia passar por manutenção, entre setembro e dezembro, então o prédio estava fechado e a rua vazia. Nas redondezas do mausoléu ficam também o Museu Ho Chi Minh e a One Pillar Pagoda (ou Pagoda de um pilar, para quem se atrever a traduzir). Nós vimos tudo só pelo lado de fora.

Mausoléu de Ho Chi Minh

Museu Ho Chi Minh

One Pillar Pagoda

Seguindo em frente, chegamos ao Lago Tay Ho, ou Lago Oeste, o maior de Hanói. Ao seu redor há vários restaurantes e hotéis de luxo. Não vimos outros turistas e o pessoal que andava por ali tinha um perfil meio empresarial, todo mundo bem arrumado e tal. É uma região legal para passear, principalmente ao redor do lago, que é mais amigável aos pedestres. Dar uma volta de bicicleta também deve ser uma boa ideia. O lago é enorme e a vista é bem bonita, mas a distância até a margem do outro lado deixa ainda mais visível a poluição da cidade. Uma pena!

Lago Tay Ho

Lago Tay Ho

Lago Tay Ho

Numa pequena ilha próxima à margem do Lago Tay Ho fica a linda Pagoda Tran Quoc. Estivemos lá na hora do almoço e foi interessante ficar observando o vai e vem de pessoas. Muita gente aproveitava uns minutos da folga para dar uma passadinha ali e fazer uma prece rápida. Ver isso acontecer em meio à correria dos dia a dia foi emocionante. Ficamos um tempão sentados lá, só vendo o tempo e as pessoas passarem. Pensando bem, acho que esse foi o meu lugar preferido em Hanói!

Tran Quoc

Tran QuocTran QuocTran Quoc

Tran Quoc

Voltamos por um caminho diferente, pela avenida Phan Dinh Phung, e por acaso conhecemos outros lugares interessantes, como a bela Igreja Cua Bac, que estava sendo restaurada, e uma pracinha charmosa. Pertinho do Old Quarte, mas ainda bem diferente de lá!

Hanoi (50)Hanoi (51)

Hanoi (52)

Quando voltamos para o hotel já era meio da tarde e ainda não tínhamos almoçado, então fomos a um restaurante lá pertinho, o Orchid. Parece que nesse restaurante há uma aula de culinária legal. Nós fomos tarde e éramos os únicos clientes. Mais uma vez eu comi meu arroz frito e, para acompanhar, os rolinhos de legumes do Vietnã. Me dá água na boca só de lembrar desses rolinhos! Pedíamos em todos os restaurantes!

Restaurante Orchid

Ah! E tem mais um restaurante em que nós jantamos 3 vezes em Hanói, uma dica que eu guardei para o final, pra quem teve fôlego de chegar até aqui. 😉 O nome dele é New Day (Ma May, 72). Nós comemos lá na primeira noite, por indicação do hotel, já que ficava quase ao lado, e acabamos voltando todas as noites, exceto na que fizemos o tour gastronômico. Eu, como sempre, comia arroz e rolinhos de legumes, mas o Eduardo, que não é vegetariano, pediu uns combinados de pratos com várias porções. Não parava de chegar comida! E era tudo muito barato! É um daqueles lugares sempre lotados, uma mistura de turista e locais. E numa noite em que chegamos lá e achamos que não tinha mais mesa, descobrimos que ainda havia mais 2 andares! Os restaurantes em Hanói são sempre maiores do que parecem.

E foi assim que passamos nossos dias em Hanói! Sabe que agora, depois de relembrar o que fizemos por lá, me deu saudade? Pensando bem, Hanói não é uma cidade para ir só uma vez na vida. Já até me deu vontade de voltar! =)

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