Trem noturno de Tbilisi a Yerevan

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Era mais que uma simples forma de transporte, era uma volta ao passado. A bordo do trem de Tbilisi a Yerevan nos sentíamos como se tivéssemos retornado ao tempo da extinta União Soviética. As cores da cabine, o corredor meio sombrio, a senhora que tomava conta do vagão, tudo nos remetia a algumas décadas atrás. Dava até para fingir que estávamos realmente em outra época, mas só até mexermos no celular, porque o wi-fi funcionando perfeitamente nos trazia de volta ao presente num segundo.

Trem de Tbilisi a Yerevan

Escolhemos fazer esse trajeto de trem por vários motivos. Um deles era a vontade de viver essa experiência, mas pesava também a economia de tempo na logística da viagem ao fazer a viagem noturna. Sem contar que era mais prático viajar de trem do que ficar procurando as vans mais confiáveis em cidades em que as rodoviárias não são como as nossas. Nossa experiência com transporte na Geórgia e na Armênia já foi traumática o suficiente sem pegar a estrada nesse trecho! Difícil foi encontrar informações a respeito do trem na internet. Em português não encontrei nada, mas em inglês consegui reunir os dados de que precisava para planejar nossa viagem. Agora compartilho com vocês o que aprendi.

O site que mais me ajudou foi o Seat 61. Lá eu encontrei quase tudo que queria saber e depois complementei algumas informações em fóruns de viagens. Li também sobre a experiência da Natalia, uma polonesa que contou em seu blog, o Tasteaway, como foi fazer essa viagem com uma criança de quase três anos. Se pra ela foi tranquilo, nós também sobreviveríamos!

Antes de viajar fiquei quebrando a cabeça tentando descobrir como comprar as passagens pela internet (já adianto: não é possível), porque eu tinha medo de que as passagens que eu queria esgotassem, mas foi uma preocupação à toa. Compramos as passagens no dia em que chegamos a Tbilisi, uns três dias antes da viagem, e foi tempo de sobra. Tudo bem que viajamos em abril, não era alta temporada, mas mesmo em outras épocas alguns dias de antecedência parecem ser suficientes.

Trem noturno de Tbilisi a Yerevan

Compramos as passagens na Estação Central de Tbilisi (metrô: Station Square/Sadguris Moedani). Os guichês ficam no último andar da estação, que é uma espécie de shopping – mas sem praça de alimentação, esteja preparado! Na maioria dos guichês ninguém fala inglês, mas não se preocupe, logo eles percebem que somos turistas e nos encaminham para o guichê correto, ou seja, aquele em que a atendente fala inglês. Para facilitar a conversa, recomendo levar as informações da sua viagem anotadas, pelo menos a origem, o destino e a data da partida. É necessário apresentar o passaporte para comprar as passagens. Não se esqueça disso para não correr o risco de fazer a viagem até a estação à toa! O pagamento dos bilhetes de trem de Tbilisi a Yerevan é feito apenas em dinheiro.

É possível encontrar mais informações sobre as rotas, horários e preços nos sites da Georgian Railway e da SCR, a companhia armênia. Os preços na verdade eu só encontrei no site da SCR, em dram armênio (você pode consultá-los aqui ), mas nós compramos as passagens em lari georgiano. Em abril de 2015 pagamos 165 lari pela cabine de primeira classe, mas provavelmente esse valor já foi atualizado.

Os trens viajam de Tbilisi a Yerevan nos dias ímpares do mês e de Yerevan a Tbilisi nos dias pares. Ele parte de Tbilisi às 20h20 e chega a Yerevan às 6h55. No trecho contrário parte de Yerevan às 21h30 e chega a Tbilisi às 7h50 (confira a rota aqui e aqui).

Recomendo pesquisar com antecedência que tipo de assento comprar. Nós viajamos na primeira classe, que consiste em uma cabine com duas camas lado a lado. É possível encontrar referências a essa categoria como sleeping car, first class ou spalny vagon. Há também a segunda classe, com 4 camas, tipo dois beliches, e a terceira classe, em compartimento aberto, mas não cheguei a ver como elas eram.

Como viajamos na primeira classe, ela é a única sobre a qual posso falar. No geral achei a cabine boa, funcional. A cama não era muito confortável, mas mesmo se fosse seria difícil dormir bem com o barulho e o balanço do trem. Havia dois banheiros no nosso vagão e esses sim era horríveis. Super antigos (precisei até pedir ajuda para a senhora que cuidava do nosso vagão para descobrir como dar descarga!) e com um cheiro horrível na hora em que usei. Havia papel higiênico, mas nada de sabonete. Recomendo levar ambos, por via das dúvidas.

Logo que o trem partiu, recebemos travesseiros e cobertores. A senhora que atendia nossa vagão era séria, mas bem prestativa e atenta. Não há serviço de alimentação, então é bom levar água e comida para a viagem. Para minha surpresa, tinha wi-fi no trem! Ele só começou a funcionar quando nos aproximamos da fronteira com a Armênia, mas a partir de então funcionou perfeitamente. Nosso vagão estava lotado e só de turistas.

Esta era a nossa cabine:

Cabine do trem noturno de Tbilisi a Yerevan

O controle de passaportes na saída da Geórgia foi simples, mas demorado. Não precisamos descer do trem. Passaram recolhendo os passaportes e depois os devolveram carimbados, mas esse procedimento levou cerca de uma hora em que ficamos parados. Na entrada da Armênia, mais uma hora de espera. Só tinha que descer do trem quem precisava do visto e fomos apenas nós e mais três turistas. Mas isso foi antes de novembro de 2015, quando os brasileiros ficaram isentos do visto para a Armênia. Imagino que agora o procedimento de entrada na Armênia para nós seja o mesmo que o da saída da Geórgia: basta aguardar a devolução do passaporte carimbado.

Cabine do trem noturno de Tbilisi a Yerevan

O trem partiu pontualmente de Tbilisi às 20h20 e chegou a Yerevan também no horário marcado, às 6h55. Eu já estava acordada, pois na verdade não consegui dormir praticamente nada, mas a tal senhora passou batendo nas portas e dando sinal para que nos arrumássemos para desembarcar. Tudo isso numa espécie de mímica, pois ela não falava inglês. Mas, como eu disse, ela era prestativa e até simpática. Quando abri a porta ela me chamou para fora da cabine e me mostrou que pela janela do corredor conseguíamos ver o Monte Ararat. Que cena mais linda naquele amanhecer!

Monte Ararat

Mal desembarcamos na estação de Yerevan e os taxistas nos atacaram. Já tínhamos visto que nosso hotel ficava a uma curta caminhada do metrô, então dispensamos o táxi, o que não foi tarefa fácil. Enquanto esperávamos o dia amanhecer totalmente, andamos um pouco pela estação. Ela é bem bonita.

Estação de trem de Yerevan

Estação de trem de Yerevan

Estação de trem de Yerevan

Estação de trem de YerevanEstação de trem de Yerevan

Estação de trem de Yerevan

Ao lado da estação de trem fica uma estação de metrô, a Sasuntsi Davit. Não encontramos casa de câmbio em nenhuma delas, então sacamos dram armênio no caixa eletrônico. Sacamos notas pequenas e isso foi importante, pois no guichê do metrô não havia troco para notas altas. (Na nossa frente havia um rapaz que não estava conseguindo comprar o bilhete porque não tinha dinheiro trocado e nós o ajudamos com 100 dram, o valor do bilhete de metrô.) Na estação havia o nome das estações em inglês e dentro do metrô as paradas também eram anunciadas em inglês. Ele parecia bem novo. Descemos na Republic Square e de lá caminhamos poucas quadras até nosso hotel. Assim começava o dia em Yerevan e a nossa viagem na Armênia.

Amanhecer em Yerevan

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2 Comments

  1. Uma viagem também muito boa é a de trem de Tbilisi para Batumi. O trem é ótimo, confortável, os banheiros são super limpos. Saem dois trens diariamente (um prla manhã r outro à tardinha). O valor da primeira classe é de 45 lari por pessoa e na segunda classe custa 19 lari. Batumi é uma cidade muito linda às margens do mar Negro.

    • Camila Navarro

      Eu queria muito ter ido a Batumi, nem que fosse para ver a escultura de Ali e Nino, mas não tive tempo suficiente. Bom saber que a viagem de trem é tranquila!

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