Eu planejei durante muito tempo a viagem para o Chile. É o país que eu mais quero conhecer na América do Sul. Talvez no mundo. O Eduardo não queria tanto quanto eu, apareceram novas oportunidades, fizemos viagens mais baratas e os planos foram sendo adiados. Mas nunca parei de pesquisar passagens para lá. Nem de acompanhar as notícias, procurar hotéis, descobrir novos passeios. As informações foram sendo armazenadas, vários planejamentos foram feitos e só faltava mesmo a ocasião (e convencer o Eduardo!). E isso aconteceu no último mês. Pagamos um preço bom nas passagens para Santiago, a época era propícia, o roteiro ficou legal. Conseguimos adiantar nossas férias e encaixá-las exatamente de acordo com as datas da viagem. Enfim, deu tudo certo!
Embarcaríamos amanhã, dia 01/03. Já estava quase tudo pronto, só faltava mesmo colocar as roupas na mala. Até que ontem, 48 horas antes da saída do nosso voo para São Paulo, ficamos sabendo da triste notícia do terremoto no Chile. Ainda assim estávamos dispostos a manter os planos. A Região dos Lagos não foi afetada, então se houvesse um jeito de irmos para lá, nós iríamos. Só que Santiago também sofreu muito, o aeroporto ainda está fechado e nosso voo foi cancelado. As remarcações só poderão ser discutidas a partir do dia 07/03. Nós não temos esse tempo para esperar. Como eu disse, já alteramos nossas férias para adaptá-las ao nosso roteiro, não há como mexer mais nelas. Procurei outras opções: passagens para Bariloche, Puerto Montt, Pucon, alguma coisa que não envolvesse Santiago. Tudo inviável ou muito caro. Encontrar algo tão em cima da hora não seria mesmo fácil. Desistimos.
Estou bem triste com tudo isso. O passaporte, as reservas, o roteiro, as coisas que comprei ainda estão separadas no meu quarto. Amanhã eu não vou trabalhar, mas vou ficar em casa. (E eu não gosto de passar sequer um dia de férias em casa!) Mas não adianta reclamar. Não há a quem culpar. Nem me sinto bem em lamentar minhas férias frustradas enquanto tantas pessoas no Chile estão passando por sofrimentos muito maiores. Mas o Chile irá se recuperar. E continuará sendo um país fascinante. E eu ainda vou conhecê-lo. O planejamento, como sempre, já está pronto.







