Memorial Minas Gerais Vale

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Não vou nem tentar disfarçar. O Memorial Minas Gerais Vale é o meu museu preferido no Circuito Cultural Praça da Liberdade. Com isso eu não estou desmerecendo os demais espaços. Todos são ótimos, mas cada um deles tem uma proposta diferente e a do Memorial é a que mais me tocou. Arrisco a dizer que é impossível um mineiro não se emocionar ali. Em algum cantinho das salas de exposição todos nós acabamos reconhecendo um ou vários pedacinhos da nossa história pessoal e da nossa alma coletiva. É difícil falar sobre um lugar quando as experiências são mais sensoriais e emotivas do que estéticas, mas vou tentar mostrar aqui um pouquinho do que se encontra no Memorial Minas Gerais Vale.

Memorial Minas Vale

PRIMEIRO PAVIMENTO

No primeiro pavimento do museu são homenageados alguns dos maiores artistas mineiros. Há uma sala dedicada ao escritor Guimarães Rosa, cheia de referências ao sertão. Na sala Carlos Drummond de Andrade, seus poemas são apresentados em paletós criados por Ronaldo Fraga. Há ainda uma linda  e impactante exposição do fotógrafo Sebastião Salgado e uma sala com obras da artista plástica Lygia Clark.

Sala Guimarães RosaSala Guimarães Rosa

Sala Carlos Drummond de Andrade

Sala Sebastião Salgado Sala Sebastião Salgado

Sala Sebastião Salgado

No primeiro pavimento há também uma midiateca, com vídeos, músicas e livros sobre Minas Gerais disponíveis para utilização e  um espaço de convivência, mas o grande destaque é a estante repleta de garrafas de cachaça mineira. Mais legal do que ver onde elas são fabricadas é dar risada com os nomes com os quais as ditas cujas foram batizadas. Lá também que fica o Café Memorial. Vale a pena reservar um tempinho no final do passeio pelo menos para o café com pão de queijo.

Cachaças Mineiras

SEGUNDO PAVIMENTO

Para o segundo pavimento você pode reservar bastante tempo! É lá que a nossa história, remota e recente, está representada. E é onde encontramos mais traços de nossa identidade cultural. A sala Minas Rupestre trata da nossa mais antiga ocupação, há cerca de 12 mil anos. Em Minas Gerais há diversos sítios arqueológicos e é essa parte da nossa história que está representada nessa sala. Foi aqui pertinho, em uma gruta próxima a Lagoa Santa, que foi encontrado o fóssil mais antigo do continente americano, chamado Luzia, que está reproduzido no museu. As cavernas escuras até convencem e as pinturas são interativas.

Sala Minas Rupestre

Sala Minas Rupestre

Sala Minas Rupestre Sala Minas Rupestre

A sala O Povo Mineiro trata da história de Minas Gerais a partir dos diferentes povos que formaram nossa identidade, ou melhor, a nossa diversidade racial: indígenas, africanos, portugueses e imigrantes de diversas partes do mundo. Aquela mistura boa que a gente vê pelo Brasil todo, né?

Sala O Povo Mineiro Sala O Povo Mineiro

O Povo Mineiro

E não dá para falar de Minas Gerais sem pensar na arquitetura barroca e na forte influência que a igreja teve por aqui. Quem já foi a Ouro Preto sabe do que eu estou falando! Na sala Barroco Sagrado Profano a fé e a arte são retratadas através de músicas e vídeos projetados em uma tela rebuscada bem característica da arquitetura barroca.

Sala Barroco Sagrado Profano

Sala Barroco Sagrado ProfanoSala Barroco Sagrado Profano

A sala Caminhos e Descaminhos é uma perdição para quem é apaixonado por mapas. E quem é que gosta de viajar e não fica super empolgado com um mapa nas mãos? Só que aqui não é possível manuseá-los. Eles estão espalhados pelas paredes. São mapas novos e antigos e que revelam tanto os caminhos trilhados ao longo de nossa história, quanto as riquezas do estado hoje.

Sala Caminhos e Descaminhos

Sala Caminhos e Descaminhos

Sala Caminhos e Descaminhos

A Fazenda Mineira também é mostrada de um jeito totalmente diferente. Apesar do ambiente monocromático, a sala aguça nossos sentidos. Dá quase para sentir o cheirinho de café, do pão de queijo, da pamonha, do bolo de fubá… Quase todo mineiro tem um pezinho na roça!

Sala A Fazenda Mineira

Sala A Fazenda Mineira

Sala A Fazenda Mineira

Sala A Fazenda Mineira Sala A Fazenda Mineira

O teatro, a música e a dança, artes que sofreram muitas inovações no final do século XVIII, são homenageadas na Casa da Ópera. A sala é uma réplica do teatro criado pela Coroa Portuguesa na então revolucionária Vila Rica.

Sala Casa da Ópera

Sala Casa da Ópera

A História de Belo Horizonte também tem vez e é contada de forma divertida num enredo que mistura o final do antigo arraial de Curral del Rey com os fantasmas dos habitantes dele expulsos e que supostamente assombram nossa capital desde então. Vale a pena assistir ao vídeo com crianças por perto só para acompanhar a reação delas.

Sala História de Belo Horizonte

Uma das salas mais belas do Memorial Minas Gerais Vale é a que retrata um dia nas antigas Vilas Mineiras dos séculos XVIII e XIX, que tiveram seu período de maior riqueza e atividade cultural e intelectual no período de exploração de seus recursos minerais. Os morros, as igrejas, as casinhas com janelas coloridas… Está tudo lá!  E, apesar de representar o passado, as miniaturas mostram bem como são nossas cidades históricas até hoje.

Sala Vilas Mineiras

Sala Vilas Mineiras

Mas a sala mais legal, na minha opinião, é a Panteão da Política Mineira, onde os quadros nas paredes ganham vida e contracenam entre si. Sentados em cadeiras giratórias, acompanhamos os principais acontecimentos da Inconfidência Mineira através dos diálogos entre Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga, Padre Rolim, Claudio Manoel da Costa e outros personagens importantes desse que é  um dos acontecimentos mais marcantes da história brasileira. A apresentação dura cerca de meia hora e eu garanto que vale a pena! Para os apaixonados por história, como eu, é até mesmo emocionante!

Sala Panteão da Política Mineira

Sala Panteão da Política Mineira

Sala Panteão da Política Mineira

TERCEIRO PAVIMENTO

Ufa! Deu para ver que o segundo andar é mesmo o mais recheado, né? O terceiro pavimento é um pouco mais tranquilo. Nele há uma sala de exposições temporárias. Na primeira vez que visitei o museu, estava sendo exposto o trabalho “A Casa é Sua”, fruto de uma projeto social com ex-presidiários e famílias carentes. Na segunda visita, ali estava a exposição fotográfica  “Um Dia na Praça”, que retratava o uso da Praça da Liberdade pela população. Mas o que mais me impressionou foi a instalação “Eu não estou aqui”, sobre crianças desaparecidas em Belo Horizonte a partir de um ângulo diferente: o da ausência das crianças. Muito triste e impactante. De qualquer forma, essas três exposições me mostraram a qualidade dos eventos temporários e eu com certeza voltarei para conferir novas obras!

Exposição Temporária "A Casa é Sua"

Mas há também mostras permanentes no terceiro andar, como a sala Celebrações, que trata das nossas festividades e manifestações culturais, e a sala Vale do Jequitinhonha, uma das mais lindas do museu, onde estão expostas peças de artesanato típico dessa região, uma das mais pobres de Minas Gerais, mas com uma riqueza cultural imensa. Para conhecer mais sobre esses assuntos, o melhor lugar em Belo Horizonte é o Centro de Arte Popular – Cemig, que também faz parte do Circuito Cultural Praça da Liberdade.

Sala Celebrações

Sala CelebraçõesSala Celebrações

Sala Vale do Jequitinhonha

Sala Vale do JequitinhonhaSala Vale do Jequitinhonha

Sala Vale do Jequitinhonha

Há ainda uma forma de você fazer parte do acervo do museu, através de fotos tiradas na sala Vale. Para completar a visita, a sala Modernismo Mineiro homenageia o movimento cultural que revolucionou as artes no início do século XX.

Sala Vale

Sala Modernismo Mineiro

A ARQUITETURA

Assim como acontece no Museu das Minas e do Metal, o prédio que abriga o Memorial Minas Gerais Vale também é uma grande atração. O edifício foi construído para abrigar a Secretaria de Finanças quando da fundação de Belo Horizonte, em 1897. Nas últimas décadas, lá funcionou a Secretaria de Estado de Fazenda, até a criação do Circuito Cultural Praça da Liberdade. Ao longo de mais de um século de história, sua área foi ampliada de 730 m2 para os atuais 3.834 m2. Felizmente, as características originais do prédio não foram totalmente perdidas com as ampliações e a recente restauração conseguiu recuperar muitos tesouros, como as pinturas decorativas de Frederico Steckel e o pátio interior central, que existia na estrutura original e foi ocupado nas reformas posteriores. O prédio é lindo e cheio de detalhes que merecem atenção, mas com certeza ninguém deixa de reparar na bela escadaria de ferro que é avistada ainda na rua. Quer um convite melhor do que esse para entrar?

Memorial Minas Vale - Antiga Secretaria de FazendaEntrada do Memorial Minas Vale

Entrada do Memorial Minas Vale

Memorial Minas Vale - Antiga Secretaria de FazendaMemorial Minas Vale - Antiga Secretaria de Fazenda

Memorial Minas Vale - Antiga Secretaria de Fazenda

Escadaria do Memorial Minas Vale

INFORMAÇÕES PRÁTICAS

Site oficial: www.memorialvale.com.br

Endereço: Praça da Liberdade, esquina com Rua Gonçalves Dias

Telefone: (31) 3308-4000

Horário de Funcionamento:

  • Às terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30 (permanência até as 18h)
  • Às quintas-feiras, das 10h às 21h30 (permanência até as 22h)
  • Aos domingos, das 10h às 15h30 (permanência até as 16h)

Entrada: Gratuita

Fotografia: Permitida, desde que sem flash e sem tripé.

Serviços: Guarda-volumes  e cafeteria no térreo. Visitas guiadas podem ser agendadas pelo telefone (31) 3343-7317.

Tempo de Visita: No mínimo duas horas. Para ver tudo com calma, reserve umas três horas.

Para mais informações, visite o site do Circuito Liberdade.

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10 Comments

  1. Eu já passei na porta umas mil vezes e nunca entrei. Falha grave! Ótimo post, preciso conhecer o lugar urgente!

  2. Luciana Betenson

    Eu amei o Memorial <3

  3. Nossa, que lindo, Camila! Fiquei encantada =)
    bjs,

  4. Um espetáculo de museu, Camila!
    Não imaginava que BH tivesse tantos bons museus…Estou vendo que está aproveitando muito bem a nova cidade 🙂
    Um beijo!

  5. Marcelle Ferreira

    Parabéns, excelente material !

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