Viaggiando nos Balcãs

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Ohrid, MacedôniaNenhuma viagem que fiz até hoje despertou tanta curiosidade como a última. E dessa vez as dúvidas não vieram só de pessoas menos viciadas em viagens, mas também de portadores de passaportes bem carimbados. Alguns países da Península Balcânica, como a Grécia e a Turquia, já fazem parte há muito tempo do sonho de consumo dos viajantes. Outros, como Croácia e Montenegro, foram descobertos mais recentemente, mas já garantiram vagas permanentes nos roteiros turísticos. Mas quando eu falei que iria visitar Albânia, Kosovo, Macedônia e Bulgária percebi alguns olhares arregalados. A reação variava pouco e refletia ou total desconhecimento (Onde fica isso? Macedônia é um país?) ou certo preconceito  (Essa região não vive em guerra? É seguro? E a máfia albanesa?). Não sei se isso é causa ou consequência, só sei que não encontrei um único brasileiro nessa viagem.

Nesse primeiro post, enquanto tudo ainda está bem fresco na minha memória, eu vou explicar de onde surgiu essa viagem e tentar responder algumas perguntas que apareceram. Dúvidas que exigem respostas mais detalhadas, como sobre transporte e atrações, ficam para os próximos posts, ok?

Por que os Balcãs?

Afinal, de onde surgiu a ideia de ir para lá? Só posso dizer que essa foi a minha primeira viagem totalmente influenciada pelo #198livros (eu digo primeira porque muitos livros que leio me deixam morrendo de vontade de fazer as malas e embarcar no próximo voo). Tudo começou com o livro da Bósnia, que me deixou intrigada com a história daquela região. Fui tentar entender a antiga Iugoslávia e o que desencadeou a Guerra da Bósnia e aí fui descobrindo o caldeirão étnico que é aquela região. E descobri também o quanto de riqueza histórico-cultural e de beleza existe por ali. Aí depois veio o livro da Bulgária, que me ensinou um bocado sobre o período comunista e me fez ter vontade de percorrer o país de leste a oeste. Pronto, estava dada a largada!

O Roteiro

Bom, mas como é que defini meu roteiro? Nossas férias estavam marcadas para setembro e a princípio eu tinha só uma noção vaga do que queria conhecer naquela região, o que geralmente se resume a TUDO. Alguns meses antes eu comecei a pesquisar passagens para a Europa e o cenário era desanimador. Os preços estavam nas alturas! Aí um dia apareceu uma promoção da Alitalia bem tentadora que incluía como destino Sofia, a capital da Bulgária. Não pensamos duas vezes! O chato é que promoções acabam trazendo algumas limitações e nesse caso foi o fato de não podermos escolher exatamente os dias de viagem. Acabamos embarcando num domingo e voltando numa sexta-feira e com isso perdemos alguns dias de férias que seriam muito bem aproveitados.

No final das contas ficamos com 18 dias líquidos de viagem, chegando e saindo de Sofia. Foi quando começou a difícil tarefa de selecionar o roteiro. Na minha cabeça rodavam Bósnia, Croácia, Montenegro, Sérvia, Macedônia, Albânia, Bulgária, Kosovo, Romênia… Não é preciso pensar muito para perceber que eu não tinha tempo suficiente para tudo, né? Quando comecei a colocar as datas no papel e a olhar distâncias e deslocamentos, vi que meu tempo era muito escasso e tive que reduzir bastante a área de abrangência.

Na estrada - Kosovo

Como nossa passagem era para Sofia e a Bulgária é um país grande, preferimos concentrar nossa viagem por lá. Nossa prioridade era viajar por terra, então adicionamos alguns países vizinhos. A Romênia foi descartada por ser outro país enorme que mereceria mais tempo. Testando as conexões, acabamos definindo os outros países do roteiro: Macedônia, Albânia e Kosovo. Eu sei que Montenegro estava logo ali, a Bósnia também, mas é preciso ser realista. Sem contar que não queríamos alugar carro, iríamos fazer a viagem toda de transporte público, então nos contentamos com o que deu e deixamos o restante dos Balcãs para depois.

Nosso roteiro completo ficou assim:

Dia 1: Saída de Belo Horizonte

Dia 2: Chegada a Sofia

Dia 3: Sofia a Skopje

Dia 4: Skopje a Pristina

Dia 5: Pristina (bate a volta a Prizren)

Dia 6: Pristina a Skopje

Dia 7: Skopje a Ohrid

Dia 8: Ohrid

Dia 9: Ohrid a Berat

Dia 10: Berat a Tirana

Dia 11: Tirana

Dia 12: Tirana a Varna (de avião)

Dia 13: Varna

Dia 14: Varna a Veliko Tarnovo

Dia 15: Veliko Tarnovo a Plovdiv

Dia 16: Plovdiv

Dia 17: Plovdiv a Sofia

Dia 18: Sofia (bate a volta a Rila)

Dia 19: Sofia

Dia 20: Sofia a Belo Horizonte

E funcionou?

Ufa! Deu pra ver que o roteiro foi pauleira, né? A gente quase não parou! Foi aquela canseira de chegar num dia e já ir embora no outro, mas ao mesmo tempo a gente não sentiu que precisava de mais tempo em cada lugar. Como foi uma viagem curta, deu para aguentar o ritmo pesado, mas se fosse uma viagem mais longa não rolava ser assim não.

Para decidir o que eu queria visitar em cada país e o tempo que cada cidade merecia a minha principal fonte de informação foi o Guia Lonely Planet Southestearn Europe. Tive que eliminar alguns lugares que ficavam meio fora de mão ou simplesmente por falta de tempo, mas até que consegui incluir no roteiro quase tudo que mais me interessava na região.

É claro que com tão pouco tempo não deu para conhecer tudo o que queria em cada país. Cheguei a me arrepender de ter incluído a Albânia no roteiro, por exemplo, porque depois que comecei a pesquisar melhor vi que apenas 3 dias não eram nada! Havia tanta coisa legal para ver! Fiquei morrendo de vontade de conhecer suas praias e montanhas, mas voltei tão apaixonada que tenho certeza de que voltarei lá.

Ohrid, Macedônia

Em todos os países nós visitamos as capitais e pelo menos uma cidade pequena. Como sempre, as cidades menores acabaram sendo minhas preferidas: Ohrid, na Macedônia, Berat, na Albânia, e Prizren, no Kosovo, foram meus lugares favoritos. Mas isso não significa que as cidades maiores não sejam interessantes! Cada uma delas me trouxe perspectivas novas sobre o país. Eu não tiraria nenhuma cidade do roteiro, só incluiria outras!

É seguro?

Sim, é seguro!  A verdade é que não me senti insegura em nenhum momento dessa viagem. Andamos muito a pé, saímos à noite, ficamos pra cá e pra lá com a câmera fotográfica no pescoço ou com o celular na mão sem problema nenhum. É claro que isso não quer dizer que você deve relaxar. Acho que cuidados básicos de segurança são necessários em qualquer lugar do mundo, mas nós, brasileiros, podemos tirar isso de letra, né? A gente não precisa bobear e deixar a bolsa desprotegida ou deixar dinheiro à mostra, num bolso exposto e tal.

O importante é que essa região não tem índices de violência preocupantes. Comparando com o o Brasil, nem se fala! O que mais me passa impressão de segurança é ver as ruas cheias, as pessoas andando despreocupadas, as praças e parques movimentados a qualquer hora do dia. E isso eu vi de sobra. Nos pontos principais das capitais vimos mais policiais, mas não era um policiamento ostensivo.

Varna, Bulgária

Acho que muita gente pensa que aquela região é cheia de mendigos, talvez por causa dos imigrantes dessa região nos países europeus mais desenvolvidos e por causa dos ciganos, que se concentram principalmente nessa parte dos Balcãs e não têm uma fama muito boa em algumas partes da Europa. E se eu te contar que quase não vimos ciganos? E que vimos pouquíssimos mendigos também? Vimos alguns mendigos em Prizren e Sofia, mas só. E não éramos abordados, incomodados, nada disso. Como os países que visitamos ainda não recebem muitos turistas, talvez eles ainda estejam livres dos golpes praticados nos lugares mais visitados.

É caro ou barato? E que dinheiro eu levo? Sorvete nos Balcãs

Gente, é muito barato! A Bulgária é um pouco menos, mas ainda assim barata quando se compara com o resto da Europa. A Macedônia fica num meio termo e a Albânia e o Kosovo são muito baratos! Imagina ir a um restaurante lindo, com comida deliciosa e encontrar no cardápio pratos principais por no máximo 5 euros! Foi isso o que aconteceu em Pristina, por exemplo. O hotel mais caro em que nos hospedamos custava 50 euros, mas era possível encontrar diárias por preço bem abaixo. Por causa disso a gente não se preocupou em economizar muito e muitas vezes almoçávamos e jantávamos em restaurantes. O que eu achei um pouco caro foram as entradas nas atrações na Bulgária, mas havia também muita coisa gratuita. O melhor mesmo em todos os países era encontrar bons sorvetes a cada esquina e às vezes por centavos de real. 😉

O Kosovo, apesar de não fazer parte da União Europeia, adotou o euro, mas o bom é que lá isso não significa preços altos. Na Albânia a moeda é o lek e ela é bem desvalorizada (hoje 1 real equivale a cerca de 45 lekes). Na Macedônia usa-se o denar (1 real hoje compra quase 20 denares). Enquanto a Bulgária não passa a integrar a zona do euro, sua moeda é o lev búlgaro (hoje 1 lev equivale a cerca de R$ 1,60).

O euro costuma ser aceito na maioria dos hotéis e em muitos restaurantes na região. Para comprar passagens de ônibus e para as despesas miúdas é que as moedas locais são indispensáveis. Nós levamos alguns euros em espécie e pagamos vários hotéis com eles. E em todas as cidades, pelo menos nas maiores, era fácil trocar moeda nas casas de câmbio. O bom é que a cotação era sempre quase igual à oficial, então nem precisávamos pesquisar muito. E caixas eletrônicos também são abundantes. Super fácil!

E a língua?

Quando eu aprendi o alfabeto cirílico para minha viagem à Rússia eu nem pensava que ele me seria tão útil fora de lá. Mas ele é o alfabeto utilizado na Bulgária e na Macedônia também. E eu acho que é bem recomendável aprendê-lo antes de ir para lá! Muita gente fala inglês, geralmente há placas nas ruas no alfabeto latino, mas os países não são todos traduzidos, sabe? Alguns ônibus que pegamos entre as cidades, por exemplo, só tinham a placa com o nome do destino em cirílico. Os bilhetes de ônibus também eram impressos em cirílico e é bom saber pelo menos o nome da empresa, né? Sem saber o alfabeto a chance de você ficar meio perdido é grande. Acho que vale a pena dar uma estudadinha antes, ajuda muito durante a viagem. E acho também que o mínimo que a gente pode fazer é aprender umas palavrinhas simples na língua local, nem que seja para agradecer. O obrigada nos dois países é bem parecido: blagodaria na Bulgária e blagodaram na Macedônia.

Placa em búlgaro

Na Albânia e na maior parte do Kosovo a língua é o albanês, mas parece que ele tem algumas variações dependendo da região. A vantagem é que o alfabeto é igual ao nosso e algumas palavras, como restaurante, hotel e aeroporto, são internacionais. Mas as facilidades acabam por aí! Eu achei a sonoridade da língua linda, mas na maior parte do tempo totalmente incompreensível. A princípio eu até pensei que o albanês tinha algumas semelhanças com o italiano, mas depois vi que eram só alguns casos pontuais mesmo. Mas nos dois países muita gente fala em inglês, então não passamos aperto. A única palavra que eu arrisquei falar em albanês e falei muito foi obrigada: faleminderit. O sorriso deles quando agradecíamos assim valia o esforço.

Pra começo de conversa tá bom, né? Tenho muita coisa para contar sobre essa viagem pelos Balcãs, mas vocês já conhecem o meu estilo, sabem que meu ritmo é bem slow blogging. Sem contar que ainda tenho um monte de coisa para falar sobre o Sudeste Asiático, um pouquinho sobre a Amazônia, algumas coisinhas sobre Minas Gerais… Então vou tentar agilizar uns posts com informações mais práticas, principalmente sobre transporte nos Balcãs, que é a dúvida de muita gente, e depois vou contando o resto com calma. Mas já adianto que a viagem foi sensacional, cheia de história, cultura e lindas paisagens. E o povo é muito, muito gentil, principalmente os albaneses. Se eu fosse você, deixava os medos e preconceitos de lado e corria pra lá! Aproveite enquanto o resto do mundo ainda não teve a mesma ideia! 🙂

Antes qualquer viagem internacional, não se esqueça de contratar o seguro para viajar tranquilo! A minha escolha é sempre o World Nomads.

Para ler tudo o que já foi publicado sobre os Balcãs no Viaggiando, clique aqui.

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26 Comments

  1. Lu Malheiros

    Excelente post, Camila! E que bom que deu tudo certo na viagem!
    Acompanhei tudo pelo instagram e vou continuar a acompanhar por aqui!

  2. Muito interessado em seus posts sobre a Bulgária, que está no meu roteiro há anos, junto com a Romênia.

    Adoro os seus relatos!

    André (http://viagenzinhahein.wordpress.com)

  3. Faço minhas as palavras de Lu! Que viagem maravilhosa foi essa Camila !?! Também acompanhei pelo instagram! Estão lindas as fotos, e eu ansiosa para acompanhar por aqui!

  4. Ah, quero muito! Meu melhor amigo frances namora agora uma bulgara que eh uma querida! Eles estiveram la visitando a mae dela e me mandaram um postal lindo conta do maravilhas sobre o país! Ja me encheu de vontade. Depois que acompanhei vc e a Ju no instagram viajando por esses lados eu fiquei mesmo decidida a inclui-los na minha wish list. Ansiosa pelos proximos posts!

    • Mirelle, agora você vai ter que esperar um pouquinho, já que a Alice tá quase aí, mas depois pode começar a planejar sua viagem para aquelas bandas. Tem história, cultura e paisagens lindas, do jeito que você gosta!

  5. Ansiosa pelos proximos posts!

  6. Camila, voce ainda nao escreveu nada sobre Berat ou eu que nao procurei direito?

    • Ai, Luisa, até hoje nada! Tô mais enrolada que tudo com esse blog! Mas já te adianto que Berat é linda demais! 🙂

      • Deve ser linda mesmo! To montando um roteirinho pela Albania, que ta ficando do jeito que eu gosto… Mas nao tem pressa, quem sou eu pra cobrar alguma coisa! 😀
        E’ que as suas fotos no Instagram me deixaram com vontade e eu sou louca por roteiros. E’ sò ver algum lugar que me interessa que jà vou organizando a viagem e ela fica ali, organizadinha, sò esperando coincidir a epoca certa com promoçoes de passagens aereas e ferias…

        • Ai, que delícia! Eu amei a Albânia, apesar de todos os problemas de infra-estrutura. Voltaria facinho! Fui só a Berat e Tirana, mas queria ir a muitos outros lugares. O norte do país não me escapa na próxima vez!

  7. Que delícia de viagem! Estou na Argentina agora, mas antes estava no Chile e usei várias das suas dicas lá, que funcionaram perfeitamente! Muito obrigado! Estou seriamente pensando em fazer uma viagem para os Balcas, mas o que tá pegando mesmo é montar o roteiro de quais países e cidades visitar. Quais países você visitaria em uma segunda visita lá? Já estou ansiando por seus posts sobre os Balcas, haha

    • Montar o roteiro é a parte mais difícil, porque tem muita coisa bacana por ali! Numa próxima viagem eu quero ir a Bósnia, Sérvia, Montenegro e Croácia, mas gostaria também de voltar à Albânia para conhecer o norte do país. Tá vendo? Falta tempo pra tanta coisa! rsrs

  8. Olá Camila, já tinha lido este post há um tempo atrás, mas voltei hoje aqui porque acabei de ouvir um podcast sobre os Balcãs. Fiquei morrendo de vontade de ir, aí me lembrei que você já havia feito essa viagem. Vou começar a ver passagens, se tudo der certo, provavelmente vou te pedir algumas dicas. 😘

  9. Oi Camila! Vc sabe se brasileiros precisam de visto para entrar na Macedonia? Obrigada

  10. Karise Brustolin Piasecki Schl

    Ola!!! Muito obrigada pelas informações. Queremos fazer Bulgária mac
    edônia e eu so gostaria de saber sobre o transporte de uma cidade para outra. Que tipo de transporte publico, valor médio, tempo entre uma e outra e onde compraram os tickets. Abraços

  11. Marcelo Barbosa

    bacana essa experiência, e + bacana ainda, vc dividir c/ quem pensa em fazer + – o msm, como eu!
    que mês que seria bom pra ir?!
    estou pensando em setembro outubro, pois, tava querendo ir em outubro pro sudeste asiático (tailandia e arredores), mas as temidas monções vão até o começo de novembro, então optei em conhecer os balcãs e adjacencias!
    vlw pelas informações!

  12. Graça Freitas da Silva

    Adorei sua postagem sobre sua viagem aos Balcãs! É o que meu marido e eu queremos fazer, mas estamos com bastante duvidas ! Já conhecemos alguns paises do Leste europeu e queríamos agora ir conhecer Montenegro, Sérvia, Macedônia, Albãnia, Romênia, Bulgária e Kosovo . Já conhecemos os paÍses da Escandinavia, os países Bálticos, Moscou e São Petersburg, Grécia e os paíse mais visitados da Europa.

    • Camila Navarro

      Graça, com esse currículo vocês tirarão os Balcãs de letra! Se tiver alguma dúvida em que eu possa ajudar, pode falar. Já te adianto que essa foi uma das melhores viagens que já fiz, talvez a melhor!

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