13 fatos e impressões aleatórios sobre os Balcãs

0 Flares 0 Flares ×

Berat - AlbâniaEu costumo ter duas viagens favoritas: a última e a próxima. Como ainda não tenho nenhuma programada para as próximas férias (eu sei, nem eu estou acreditando nisso), a viagem aos Balcãs acaba sendo minha única preferida no momento. Mas não é só por isso. A verdade é que ela foi uma experiência marcante. Foram só três semanas, mas elas foram especiais. Foi uma viagem intensa, cheia de belas paisagens e também de cultura. Foi como dar vida a muita coisa que eu já conhecia pelas páginas dos livros de literatura ou de História. Antes de começar a mostrar o que vi em cada lugar, vou fazer um apanhado geral de alguns detalhes que me chamaram atenção. Já aviso que são impressões superficiais, pois passei muito pouco tempo na região e não sou especialista em nada do que eu comento aqui. E espero que você não seja supersticioso e tenha se incomodado com o número de detalhes dos quais me lembrei. =)

1) Para começar, o que são os Balcãs? Para dar essa resposta, reproduzo aqui as palavras de quem entende mais do assunto do que eu: a Wikipédia, claro! “Os Bálcãs, ou Balcãs, ou ainda Península Balcânica, é o nome histórico e geográfico para designar a região sudeste da Europa que engloba a Albânia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Grécia, República da Macedónia, Montenegro, Sérvia, o autoproclamado independente Kosovo, a porção da Turquia no continente europeu (a Trácia), bem como, algumas vezes, Croácia, Romênia, Eslovênia e a Áustria. O termo deriva da palavra turca para montanha e faz referência à Cordilheira dos Bálcãs, que se estende do leste da Sérvia até ao mar Negro.” Como vocês podem ver, o que eu tenho chamado de minha viagem aos Balcãs foi na verdade uma viagem a um pequena porção da Península Balcânica. Estou usando esse nome porque é mais fácil falar Balcãs para englobar Albânia, Bulgária, Macedônia e Kosovo do que ficar toda vez repetindo os nomes dos países toda vez que me refiro a essa viagem.

2) Uma das características marcantes dos Balcãs (e aqui falo dos Balcãs como um todo) é sua diversidade étnica e religiosa. O que a história mundial infelizmente nos diz é que isso é um terreno fértil para conflitos. Não deu outra! Há séculos, ou melhor, há milênios os Balcãs são palco de guerras frequentes. Só no último século tivemos a Guerra dos Balcãs, em 1912, e as Guerras da Iugoslávia – com destaque para a Guerra da Bósnia – e do Kosovo na década de 90. Por causa desse caldeirão cultural e da volatilidade das fronteiras na região, é difícil definir o conceito de identidade nos Balcãs. Eu percebi isso claramente no 198 livros. Procurando livros de lá eu encontro termos como “escritores albaneses da Macedônia”, “literatura albanesa no Kosovo”, “escritor bósnio-croata”, “bósnio de etnia sérvia”… O local de nascimento não parece ser o fator mais importante para definir a nacionalidade de um cidadão dos Balcãs. Para quem, como eu, tem raízes bem fincadas em um único país, é até um pouco difícil de entender o que acontece nessa região.

3) Complementando o que eu acabei de falar, concluo que o Kosovo hoje é albanês. As bandeiras da Albânia espalhadas por todo lado e o fato de a língua ser a mesma reforçam essa impressão. As estatísticas que encontrei dizem que cerca de 90% da população do Kosovo atualmente é mesmo de origem albanesa. A diferença é que o Kosovo parece mais desenvolvido que a Albânia, provavelmente por causa da ajuda estrangeira ao país, já que a economia kosovar é considerada uma das piores da Europa atualmente. Viajando por lá a gente não percebe isso.

4) O burek é o prato regional mais famoso nos Balcãs. Em todos os países a gente perguntava qual era um prato típico do local e eles nos indicavam o burek. O nome variava: burek, byrec ou até banitsa (Баница), na Bulgária. A essência era a mesma independente do nome: uma espécie de pastel de massa folhada assado. Os recheios mais comuns eram carne e queijo (um queijo com consistência tipo a da ricota, mas mais salgado), mas também vimos muitos de espinafre e alguns com recheios doces. A origem do burek é turca e provavelmente se espalhou pela região durante o Império Otomano. Ele é barato e a gente o encontra em qualquer esquina. No final já estávamos até enjoados, pois comemos burek quase todos os dias.

Burek na Macedônia

5) O povo fuma muito! E não só fumam muito, como fumam em todos os lugares. Sei que esse não é um problema exclusivo dos Balcãs, mas lá nós sentimos isso com mais intensidade. Às vezes entrávamos num quarto de hotel com proibição clara de fumar e ele tinha cheiro de cigarro. Não estávamos livres dessa praga nem dentro dos restaurantes. Era insuportável!

6) Há muitos jovens nos Balcãs! Andando pelas ruas o que a gente mais via eram adolescentes e adultos jovens. Vimos muitas crianças também, o que nos fez concluir que a taxa de natalidade nas últimas décadas deve ter sido alta. Fiquei com preguiça de procurar dados oficiais para saber se estávamos certos…

7) Os bares estão sempre lotados! Em todos os países nós ficamos impressionados com o tanto de gente nos bares e cafés o dia todo. Tudo bem que era o final do verão e as pessoas poderiam estar aproveitando os últimos dias de calor, mas ainda assim era espantoso ver um bar lotado numa quarta-feira às duas da tarde, por exemplo. Isso pode ter a ver com a quantidade de jovens que eu mencionei e também com as altas taxas de desemprego, mas sei lá, estou falando sem saber mesmo, só especulando pra tentar encontrar uma explicação.

8) Todas as cidades que visitamos tinham suas ruas para pedestres. E que delícia foi andar despreocupadamente por essas ruas livres de carros!

Berat - Albânia

9) As mulheres estão sempre super arrumadas e maquiadas, principalmente no Kosovo. Apesar de ter lido no guia Lonely Planet que levamos que no Kosovo e na Albânia a maioria da população é muçulmana, andando nas ruas desses países ninguém diz isso, pois as mulheres se vestem de forma bem diferente de como a gente imagina que se vistam num país de tradição islâmica. O último censo parece estar bem desatualizado e li em algum lugar que estatísticas mais realistas diriam que a maioria dos albaneses são ateus, o que seria uma herança da ditadura de Enver Hoxha, que quis abolir a religião no país. Ateus ou não, só sei que quando estivemos em Tirana os albaneses estavam bem empolgados com a iminente visita do Papa Francisco.  Eles também se orgulham muito de Madre Teresa de Calcutá, que nasceu na Macedônia, mas era de etnia albanesa.

10) Para minha sorte, eles adoram sorvete! E eu adorei encontrar um quiosque de sorvete bom e barato a cada esquina! Na Bulgária a exposição dos sorvetes nos quiosques era uma verdadeira obra de arte, pena que eu não tirei nenhuma foto para mostrar aqui.

11) Ainda na Bulgária, é super fácil encontrar uns lugares que vendem pedaços de pizza gigantescos. Como as pizzas são enormes, valem por uma refeição. Na hora do almoço havia filas nesses lugares. E elas eram sempre muito baratas. Quando batia a fome e não sabíamos onde comer, corríamos para uma das portinhas que vendiam essas pizzas e garantíamos a energia necessária para mais algumas horas de turistagem!

Pizza gigante na Bulgária

12) É super fácil encontrar fontes de água potável pelas ruas. No início estávamos meio receosos sem saber se poderíamos beber daquelas fontes, mas ficávamos um tempinho observando e se víamos alguém bebendo a gente ia atrás. Depois a gente perdeu o medo e só não bebia se havia algum aviso dizendo que a água não era própria para consumo. Como tínhamos nossas garrafinhas dobráveis, às vezes já as abastecíamos antes de voltar para o hotel e assim nem precisávamos comprar água. Nosso bolso e o meio-ambiente agradeceram!

Fonte de água potável em Prizren, Kosovo

13) Os brasileiros ainda não descobriram essa região. Parte dos Balcãs já são sonho de consumo de muita gente – como a Grécia, desde sempre, e a Croácia, mais recentemente – mas pouca gente se aventura pelos países em que estive. Pela primeira vez não encontramos nenhum brasileiro durante as férias! Na Albânia e no Kosovo havia poucos turistas de qualquer nacionalidade, mas parece que a Bulgária e a Macedônia já entraram no radar dos europeus. Ainda assim não é nada que se compare aos grandes destinos turísticos do mundo. Acho que é uma ótima hora para explorar os Balcãs, pois os preços ainda são bem atrativos e os poucos turistas que aparecem são tratados com a maior mordomia. Eles se espantavam quando dizíamos que éramos brasileiros, mas sempre tinham uma referência daqui. Nossas novelas são famosas por lá e temos a fama do futebol, né? Mesmo depois do fiasco da Copa do Mundo vimos uns garotos corajosos vestindo a camisa do Brasil!

Garoto com a camisa do Brasil em Berat, na Albânia

Acho que é só! Se eu me lembrar de mais alguma coisa eu coloco nos posts específicos de cada país. Porque ainda vem muita coisa boa por aí! Essa série está só começando! =)

Para ler tudo o que já foi publicado sobre os Balcãs no Viaggiando, clique aqui.

O post contém links para programas de afiliados. Leia a política de monetização do Viaggiando.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

Continue Viaggiando:

13 Comments

  1. Show! evo fazer uma parte da região também, mas outros países…

  2. Suas dicas são excelentes! Fica tudo tão fácil, depois das suas explicações. Pelo menos no quesito “respeito aos não fumantes” o Brasil está bem à frente. Em muitos países eles não querem nem saber, é fumaça para todo lado.

  3. Daqui a duas semanas viu sair de viagem começando na Áustria e passando por Eslovênia, Bósnia, Montenegro e Croácia, terminando na Itália onde vou fazer intercâmbio. To ficando muito empolgada lendo seus posts dos Bálcãs!

  4. Que saudades desta linda região. Adoramos tudo por lá. Principalmente o burek. Também comemos todos os dias. Ruim mesmo só os fumantes, como você disse. Até nos trens pegamos gente fumando, normalmente, dentro dos vagões. Mesmo com os avisos de proibido fumar. Até o funcionário da empresa de trens que verificava passagem parava para fumar de vez em quando.
    Adorei a foto da rua de pedestre de Berat. Fora que passear nessas ruas éo programa de muitos locais né?

    • Não tem como passar pelos Balcãs sem comer burek todo dia, né? Tem em todo lugar e é prático e barato. Adorei que todas as cidades em que fomos tinham ruas para pedestres. Elas mudam o clima de qualquer lugar, é uma delícia! Quanto ao cigarro, sofremos também na Geórgia e na Armênia. Ô povo que fuma. credo!

  5. Muito obrigado pelo ótimo post! Estamos na Romênia e já sentimos o problema da fumaça de cigarro em vários lugares. Pelos próximos meses iremos passar por outros países dos balcãs, muita coisa legal para explorar! Aliás, hoje comemos burek até não poder mais, é difícil parar!

    • Em alguns dias eu pensava que já tinha enjoado do burek, mas no dia seguinte já estava lá comendo de novo! rsrs Quando não era burek era pizza de pedaço. Lanches rápidos e baratos!

  6. Sou fascinado pelos Bálcãs – uma das regiões com história mais rica que conheço. Eu havia encontrado teu blog algum tempo atrás, e agora voltei para ler (ou reler) algumas das tuas postagens, que aliás são bastante bem escritas. Muito bom!

  7. Olá. Permitam-me dar a conhecer este blogue:

    https://aultimaguerranosbalcasblog.wordpress.com/

    Obrigado!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *