198 Livros: Nova Zelândia – The Bone People

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198 Livros - Nova ZelândiaEu enrolei cerca de um ano para começar a ler o livro. Fiquei um tempão esperando que ele ficasse disponível na Book Depository, mas quando o peguei em mãos não consegui encará-lo imediatamente. Talvez tenha sido culpa do livro da Austrália, que me deixou traumatizada com o tanto de palavras num inglês que eu não conseguia entender ou encontrar no dicionário. E lá estava eu com medo de The Bone People, livro da escritora neozelandesa Keri Hulme. Mais um calhamaço direto da Oceania, mais um que eu achava que seria um desafio. E foi mesmo, mas não pelos motivos que eu imaginava.

The Bone People gira em torno de três personagens peculiares. A rica e excêntrica pintora Kerewin vive praticamente isolada em uma torre na praia, longe da família e o mais longe possível da civilização. Simon é um garoto de cerca de 6 anos considerado um problema na cidade. Ele é mudo e, além da dificuldades de comunicação, parece ter um temperamento bem explosivo. Joe é o pai adotivo de Simon. Ele perdeu a esposa e o filho pequeno há alguns anos e agora tenta criar Simon sozinho. A vida dos três se encontra num dia em que Simon invade a casa de Kerewin, transformando e unindo a vida da dos três protagonistas.

The Bone People - Keri Hulme

Quando Joe vai buscar Simon na casa de Kerewin, ela descobre que o garoto tem essa mania de fugir e invadir a casa das pessoas. Ele é um garoto complicado, carrega algum trauma do passado, mas ninguém sabe o que aconteceu, já que ele simplesmente apareceu um dia na praia, sem identificação e aparentemente sem memória. Joe e sua esposa cuidaram do garoto, mas pouco tempo depois ela e o filho do casal morreram e ele se viu sozinho com aquele filho adotivo que ele não sabe bem como criar. Kerewin acaba se aproximando dos dois e aos poucos vai descobrindo alguns segredos da relação entre pai e filho. São três personagens complexos, difíceis, cheios de traumas e carentes de afeto, mas não se engane, The Bone People não é uma história de amor.

Eu não quero contar muito sobre o enredo, porque parte da experiência dessa leitura é desvendar aos poucos os mistérios que Keri Hulme vai nos apresentando, mesmo que muitos fiquem sem resposta. Acho importante apenas dizer que o livro tem muita violência e abuso infantil, então se você tem problemas com esses temas pode ser uma leitura difícil. E por isso ela foi um desafio para mim.

Em muitos momentos o livro me causava desconforto, era penoso seguir em frente. Vi algumas entrevistas da autora em que ela diz que sua intenção realmente era colocar em foco a violência contra as crianças, um problema existente na Nova Zelândia, pelo menos na época em que o livro foi escrito.

The Bone People não tem uma estrutura convencional. O livro mescla a narração em terceira pessoa com fluxos de consciência, relatos de sonhos, versos, palavras em maori. Através da história de Kerewin, Joe e Simon a autora traz muito da cultura maori (nativa da Nova Zelândia) e seu encontro com a cultura ocidental. Joe é maori, Simon tem feições europeias e Kerewin, por sua vez, é a interseção desses mundos, parte maori, parte europeia. Há muito simbolismo e mitologia e assumo que eu não devo ter percebido ou entendido a maioria. Não é um livro que se esgota em uma única leitura.

Transposto o estranhamento inicial, a leitura fluiu. Apesar do tema pesado, a escrita de Keri Hulme me prendeu e eu simplesmente não conseguia largar o livro. Acabei lendo esse calhamaço de mais de 500 páginas em inglês em apenas 10 dias. Acho que isso explica como The Bone People foi rejeitado por diversas editoras antes de ser aceito, mas logo em seguida recebeu o Man Booker Prize, em 1985. Só o final não me convenceu, de certa forma não combinou com o restante do livro

The Bone People foi publicado originalmente em inglês, em 1984, pela editora Spiral Press. O livro está disponível na Amazon e na Book Depository.

Mais algumas escritoras neozelandesas:

  • Eleanor Catton
  • Charlotte Grimshaw

Saiba mais sobre o Projeto 198 Livros.

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